Militares da Venezuela farão papel de polícia

O governo do presidente Nicolás Maduro usará as Forças Armadas para tentar conter a epidemia de violência que se alastrou pela Venezuela nos últimos anos. A informação foi revelada ontem pelo ministro do Interior de Caracas, Miguel Rodríguez, em entrevista a uma rede estatal de TV venezuelana.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2013 | 02h02

A ideia, disse o ministro, é unir tropas do Exército, Força Aérea e Marinha aos policiais da Guarda Nacional venezuelana, para que todos saiam às ruas contra o crime comum. Rodríguez, entretanto, não detalhou como nem quando ocorrerá essa integração das forças, mas disse estar otimista e esperar que os índices de violência caiam "com rapidez".

Segundo um estudo publicado recentemente pelo Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (Pnud), a Venezuela tem a quinta maior taxa de homicídio no ranking global, atrás apenas de Honduras, El Salvador, Costa do Marfim e Jamaica. Caracas é considerada uma das mais perigosas cidades do mundo.

Espião? O ministro do Interior também rebateu as declarações do presidente dos EUA, Barack Obama, a respeito do cidadão americano detido na Venezuela sob acusações de espionagem. Em viagem à Costa Rica, Obama dissera que o caso contra Timothy Tracy, um cineasta de 35 anos, é "ridículo".

O governo venezuelano continua a afirmar que o americano estava a serviço da inteligência de Washington. Rodríguez disse que Tracy era seguido por agentes de espionagem de Caracas desde o fim de 2012 e, nesse período, o cineasta encontrou-se com líderes da oposição para tentar derrubar o governo chavista.

"Essas grandes potências que fazem esse tipo de trabalho, de espionagem, utilizam muito fachadas de cineasta, documentarista, fotógrafo e jornalista", justificou o ministro do Interior. "Dessa forma, podem ir a qualquer lugar." Na sexta-feira, o presidente Maduro havia afirmado que Obama é o "chefe maior dos diabos". / REUTERS e AFP

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