Militares de Israel acreditam em novo conflito com o Hezbollah

Oficiais das Forças Armadas de Israel, citados nesta segunda-feira pelo jornal "Ha´aretz", que não os identificou, acreditam que "em meses, ou ainda dentro de semanas", pode explodir um novo conflito com a milícia xiita libanesa Hezbollah.Segundo os militares, o reatamento das hostilidades pode ser causado pelo fato de a Síria e o Irã, aproveitando o cessar-fogo conseguido pelo Conselho de Segurança da ONU, em vigor há uma semana, retomarem a entrega de armas ao Hezbollah.A resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU, que permitiu o cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, estabelece um embargo de armas para a milícia libanesa, mas não criou nenhum mecanismo para colocá-lo em prática.O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, acusou Israel de violar o cessar-fogo por ocasião de uma operação da Unidade de Reconhecimento do Estado-Maior, no último sábado, que tentava impedir o envio de armas para o Hezbollah em Baalbek, no leste do Líbano.Israel justificou a operação, que matou três milicianos libaneses e um coronel israelense, afirmando que foi parte de seu direito de autodefesa, pois nem o Exército libanês nem as forças da ONU impedem a passagem de armas para o Hezbollah.Um dos oficiais citados pelo "Ha´aretz" disse que Israel "se verá forçado" a lançar ataques aéreos contra caminhões que cruzam a fronteira entre Síria e Líbano com armas e foguetes para a milícia do chamado "Partido de Deus", que se nega a desarmar-se, segundo o estipulado pela resolução do Conselho de Segurança para o cessar-fogo."Se soubermos que um caminhão está transportando armas (para Hezbollah) o atacaremos porque, simplesmente, não há outra alternativa", disse o militar, ainda sabendo que isso poderia retomar o disparo de foguetes Katyusha contra o norte de Israel.Os guerrilheiros libaneses lançaram 3.970 mísseis contra dezenas de localidades da Galiléia, no norte de Israel, durante os 33 dias de enfrentamentos. O primeiro conflito com o Líbano explodiu em junho de 1982, com uma invasão israelense para neutralizar a guerrilha palestina, que também disparava esses foguetes de origem soviética contra a cidade de Kiryat Shmona e outros povoados próximos da fronteira.

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