Militares descobrem 72 corpos em zona rural do México

Pelo menos 72 corpos foram encontrados por militares em uma comunidade rural no norte do México, quando eles vasculhavam a área após um tiroteio contra supostos narcotraficantes, de acordo com informações divulgadas ontem pela Marinha. Os cadáveres de 58 homens e 14 mulheres foram encontrados ao sul da cidade de Matamoros, próximo da fronteira com os Estados Unidos.

AE-AP, Agência Estado

25 de agosto de 2010 | 10h27

Os cadáveres foram descobertos quando um homem ferido, que está sob proteção de autoridades federais mexicanas, avisou a um posto da Marinha na rodovia no Estado de Tamaulipas que havia sido atacado por homens a mando de traficantes próximos dali. A Marinha enviou aeronaves ao lugar e, quando os pistoleiros viram as autoridades, abriram fogo e tentaram fugir em uma caravana. No tiroteio que se seguiu, um militar e três suspeitos foram mortos. Os militares apreenderam 21 armas e um menor, suspeito de integrar grupo de traficantes.

Quando os militares vasculharam a zona, perto da cidade de San Fernando, encontraram os cadáveres. Não se sabe se as vítimas morreram ao mesmo tempo ou em ocasiões diversas. A Marinha também não informou a data da descoberta. O número de corpos é, aparentemente, o maior já encontrado pelas autoridades na guerra contra o narcotráfico desde que o presidente Felipe Calderón lançou uma ofensiva para enfrentar o problema, em 2006.

"O governo federal condena categoricamente os atos de barbárie que cometem as organizações criminais e ratifica seu compromisso com o Estado de Direito", afirmou a Marinha em um comunicado. "Toda a sociedade deve condenar este tipo de atos, que ilustram a absoluta necessidade de seguir combatendo o crime com toda firmeza."

Violência

Os cartéis mexicanos da droga utilizam com frequência terrenos baldios para abandonar pilhas de cadáveres de rivais executados ou de vítimas de sequestro. A Marinha não informou detalhes sobre as identidades das vítimas, nem sobre possíveis responsáveis.

Na região, há uma sangrenta luta pelo controle de rotas de drogas, entre o Cartel do Golfo e Los Zetas, que já foram aliados. Em maio, autoridades encontraram 55 corpos em uma mina abandonada perto de Taxco, ao sul da Cidade do México, muito visitada por turistas de vários países. Em julho, a polícia encontrou 51 cadáveres em dois dias, em um terreno próximo a um lixão nas proximidades de Monterrey, norte do país. Aparentemente, muitas das vítimas eram narcotraficantes rivais.

Mais de 28 mil pessoas foram mortas pela violência relacionada ao narcotráfico, desde o início da ofensiva, em 2006.

Prefeito assassinado

Autoridades informaram que a causa do assassinato recente de um prefeito no norte mexicano foi culpa do cartel Los Zetas. O procurador do Estado de Nuevo León, Alejandro Garza y Garza, disse em entrevista à imprensa que o prefeito de Santiago, Edelmiro Cavazos, havia sancionado agentes de trânsito por cancelarem sem motivo infrações de motociclistas, que se queixassem para um líder local de Los Zetas. O vínculo se estabeleceu em interrogatórios de sete policiais municipais detidos por suposta participação no crime de Cavazos, sequestrado em 15 de agosto e que três dias depois apareceu morto.

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