Militares disparam contra manifestantes no Bahrein e deixam 66 feridos

Choques desta sexta já deixaram ao menos um morto; protestos tiveram início na segunda

estadão.com.br

18 de fevereiro de 2011 | 14h51

Manifestantes levam colega para hospital em Manama

 

MANAMA - A forças de segurança do Bahrein abriram fogo contra os manifestantes que protestavam contra o governo na capital do país nesta sexta-feira, 18. Há relatos de um helicóptero militar sobrevoando algumas áreas da capital do país para dispersar a multidão que marchava em direção à Praça das Pérolas, local de concentração dos protestos. Uma fonte hospitalar disse que há 66 feridos, alguns deles em condições críticas.

 

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Testemunhas afirmaram que o Exército, e não a polícia, foi acionado para conter as manifestações, um indício do recrudescimento da repressão aos protestos no pequeno reino do Oriente Médio, que começaram na segunda-feira, quando a minoria xiita foi às ruas para exigir reformas políticas e sociais. Há relatos de que há mortos entre os manifestantes.

 

Não ficou claro se as Forças Armadas disparavam munição ou balas de borracha. Os militares também atiraram bombas de efeito moral e de gás lacrimogêneo. O helicóptero também disparou contra a massa, que se formou a partir de um funeral de um jovem morto nos dias anteriores, e contra jornalistas que gravavam imagens do local. Testemunhas disseram ter visto corpos no chão depois dos disparos.

 

Ao menos sete pessoas morreram nos conflitos durante a semana, quando o Exército e a polícia forçaram a desocupação da Praça das Pérolas, no centro de Manama. Fontes dizem que há ao menos um morto e ao menos 50 feridos nesta sexta. A oposição denunciou o "massacre" das forças de segurança. Na quinta, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, pediu "moderação" ao governo do Bahrein.

 

O príncipe Salman bin Khalifa, vice-comandante das Forças Armadas do Bahrein, divulgou um emocionado apelo por calma na televisão estatal, minutos após os registros de violência. Segundo ele, quando os manifestantes se retirarem o Exército deixará também as ruas e poderá ser iniciado um "diálogo". "Eu estou apelando por calma, deem tempo para nós pensarmos", disse o príncipe.

 

Os protestos no Bahrein tiveram início no começo da semana, estimulados pelas revoltas populares do Egito e da Tunísia, onde ditaduras que já duravam décadas foram derrubadas. No reino, a maioria da população - cerca de 70% - é xiita, mas o governo do rei é sunita. Os manifestantes querem uma sociedade mais igualitária. Um grupo de partidos da oposição, liderados pelo bloco xiita Wefaq, exigiu a renúncia do governo e a formação de um novo gabinete de unidade nacional.

 

Com AP.

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