Militares do Egito dizem que atiradores vieram de Gaza

Ataque que deixou 16 guardas de fronteira egípcios mortos no domingo teria contado com 35 milicianos

CAIRO, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2012 | 03h01

Os militares do Egito prometeram ontem caçar os atiradores que mataram 16 guardas de fronteira do no posto de controle de Karam Abu Salem, próximo à linha divisória do país com Israel, no início da noite do domingo. Em um comunicado, as Forças Armadas egípcias qualificaram os responsáveis pelo ataque de "inimigos" e "infiéis", sugerindo que eles são militantes com base na Península do Sinai que tiveram apoio dos palestinos da Faixa de Gaza para praticar a ação.

Um funcionário do governo do Cairo afirmou que os milicianos são jihadistas e cruzaram a fronteira entre o território palestino e o Egito antes do ataque. Segundo os militares, 35 homens participaram da ação e morteiros foram disparados desde Gaza contra as instalações egípcias - de onde dois veículos foram roubados. Um deles explodiu na cerca que divide o país com Israel. O outro entrou 2,5 quilômetros no território vizinho, até o posto de controle de Kerem Shalom, e foi destruído pela Força Aérea israelense - "entre seis e oito terroristas" foram mortos, disse o governo do país. Para Israel, a intenção era promover um ataque suicida de larga escala em seu território.

Esse confronto representa um teste diplomático para o recém-empossado presidente Mohamed Morsi, que ontem esteve na região egípcia atacada acompanhado do marechal Hussein Tantawi, ministro da Defesa do país, que comandou a junta militar que assumiu o governo após depois da queda de Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011.

No final da noite, houve um protesto em frente à residência do embaixador israelense no Cairo. Dezenas de ativistas pediram que Morsi rompesse relações com Israel.

O governo israelense acusa o Egito de ter perdido o controle do Sinai após a revolução que depôs o ditador. O ministro da Defesa israelense, Ehud Barak, disse ontem que o ataque de domingo deveria servir como um "chamado ao despertar" das autoridades do Cairo para a necessidade do controle da região - onde presença militar egípcia é limitada pelo tratado de paz com os israelenses, de 1979.

Morsi afirma que pretende manter o acordo. A Irmandade Muçulmana - que comanda o seu partido, o Justiça e Liberdade, e da qual o presidente faz parte - afirmou ontem em seu site que "é imperativo rever as cláusulas" do pacto. O ataque de domingo, segundo a organização islamista, "pode ser atribuído ao Mossad (o serviço secreto israelense)" e "foi uma tentativa de prejudicar o líder egípcio".

"Até a pessoa que diz isso não acredita na tolice que está pronunciando quando se olha no espelho", disse Yigal Palmor, porta-voz da chancelaria israelense, negando a participação do país. O Departamento de Estado dos EUA mostrou-se cético sobre a suposta influência de Israel na ação.

O Hamas condenou as mortes dos egípcios no domingo e ontem interrompeu um dos túneis subterrâneos usados para o abastecimento do território com mercadorias trazidas do Egito. / REUTERS e AP

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