Annie Risemberg/AFP
Annie Risemberg/AFP

Militares do Mali pretendem permanecer por três anos no poder e prometem libertar Keita

Ainda não há acordo total; negociações serão retomadas na segunda-feira, 24

Redação, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2020 | 22h52

BAMAKO - A junta militar no poder no Mali deseja a implementação de um órgão de transição dirigido por um militar durante três anos, e aceitou que o presidente deposto, Ibrahim Boubacar Keita, volte ao seu domicílio, indicaram neste domingo, 23, fontes da delegação da África Ocidental e da junta.

"A junta afirmou que deseja realizar uma transição de três anos para rever os fundamentos do Estado do Mali. Essa transição será dirigida por um órgão presidido por um militar, que ao mesmo tempo será o chefe do Estado", disse à Agência France Press uma fonte da delegação da Comunidade Econômica da África Ocidental (Cedeao) presente em Bamako. 

Um membro da junta confirmou à Agência France Press"os três anos de transição com um presidente militar e um governo composto principalmente por militares".

Segundo a mesma fonte da Cedeao, a junta prometeu "libertar o presidente Keita", que está detido desde o golpe de terça-feira, "que poderá voltar à suaa casa" em Bamako. "E se quiser viajar para receber atendimento médico, não há problema", acrescentou. 

Quanto ao primeiro-ministro, Boubou Cissé, que foi preso ao mesmo tempo que o presidente Keita e que está detido no campo militar de Kati, fora da capital, "obtivemos do conselho que concordam em [serem transferidos] para uma residência vigiada em Bamako", afirmou o responsável. A fonte do junta confirmou essa informação.

No segundo dia de negociações, houve progresso, embora nenhum acordo total tenha sido alcançado. As negociações serão retomadas na segunda-feira. 

"Conseguimos nos entender em alguns pontos, mas não em todos os pontos de discussão", declarou após uma reunião de várias horas o chefe da delegação da Cedeao, o ex-presidente nigeriano Goodluck Jonathan, que foi encarregado de restaurar "a ordem constitucional" no Mali.

Vários membros da Cedeao puderam ver o presidente deposto no sábado, que anunciou sua renúncia na terça-feira sob pressão dos militares e desde então foi preso. 

"Vimos o presidente Keita", confirmou Goodluck, que garantiu que "ele estava bem". 

A delegação da Cedeao já havia se reunido meia hora antes com membros do Comitê Nacional de Salvação do Povo (CNSP), órgão criado pelos militares golpistas, entre eles o Coronel Assimi Goita, o novo homem forte do Mali. 

"As discussões com a Cedeao estão indo muito bem", disse o porta-voz militar Ismael Wagué. "Esperamos encontrar um terreno comum", confirmou uma fonte próxima ao conselho no domingo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.