Militares do Quênia lançam ofensiva para retomar shopping; mortos são 68

Grupo de radicais da milícia somali Al-Shabab mantinha vários desde reféns desde a sangrenta invasão no sábado

O Estado de S.Paulo / AP, REUTERS e AFP

23 Setembro 2013 | 02h04

NAIRÓBI - Pelo menos 68 pessoas tinham morrido e 175 ficado feridas até a noite de ontem no atentado ao shopping Westgate, em Nairóbi, capital do Quênia, enquanto tropas de elite do Exército tentavam concluir a retomada do prédio, ocupado desde sábado por militantes do grupo radical somali Al-Shabab, ligado à Al-Qaeda. A maioria dos reféns mantidos pelo grupo no fim de semana já tinha sido libertada ontem, segundo o governo queniano.

O Exército do Quênia lançou no começo da noite ontem a ofensiva para retomar o controle do shopping depois de 30 horas de cerco. Ao menos quatro soldados foram feridos em troca de tiros com os extremistas. A expectativa do Exército era a de que o conflito terminasse entre o final da noite e a madrugada de hoje. Muitas das vítimas que escaparam dos sequestradores apresentaram um quadro de desidratação, segundo as Forças Armadas do país.

Disparos foram ouvidos ao longo de todo o domingo no prédio de quatro andares que abriga o shopping.

Soldados de elite foram vistos entrando no local com granadas propelidas por foguetes. Helicópteros davam apoio aéreo à operação, o que irritou os militantes do Al-Shabab. "O Exército queniano está colocando os reféns em perigo", disse o grupo no Twitter.

Autoridades quenianas garantiram um esforço máximo para proteger os reféns, cujo número era incerto.

No boletim em que confirmou o último balanço de 68 mortos e 175 feridos, a Cruz Vermelha queniana informou que 49 pessoas estavam desaparecidas, mas não está claro se todas elas estavam em poder dos radicais dentro do prédio.

Os militantes islâmicos invadiram o local no sábado, por volta do meio dia, com granadas e fuzis de ataque. Por meio de sua conta no Twitter, o Shabab considerou a ação uma represália à presença de tropas quenianas na Somália.

Na tarde de ontem, o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, disse que as forças de segurança tinham uma boa chance de neutralizar os militantes. Kenyatta, que disse ter perdido dois parentes no atentado, afirmou que mulheres participaram do ataque ao shopping, frequentado por estrangeiros e pela elite queniana.

"Os criminosos agora estão localizados em um lugar dentro do edifício. Com os profissionais no local, eu garanto aos quenianos que temos uma boa chance de neutralizar com sucesso os terroristas como nós esperamos", disse o presidente.

Questionado se consideraria a retirada das tropas, Kenyatta declarou: "Nós fomos como uma nação para a Somália para ajudar a estabilizar o país, mas, sobretudo, para lutar na guerra contra o terror. Não vamos ceder na guerra contra o terror... O ataque só tem aumentado o nosso compromisso de lutar e vencer essa guerra."

Após ter recebido o respaldo de líderes da oposição e de outras autoridades na residência presidencial, Kenyatta também pediu que os países não emitam alertas de viagens que prejudicariam a indústria do turismo queniana, vital para o país. Ele evitou confirmar boatos de que reféns mantidos no shopping tinham explosivos amarrados a eles. "Não comentarei as operações de resgate", afirmou.

Consultores israelenses ajudaram autoridades do Quênia a formular uma estratégia para acabar com o cerco ao shopping.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.