Militares dos EUA querem construir prisão em Guantánamo

Os militares norte-americanos pediram ao Congresso que aprove a verba para a construção de uma prisão "semipermanente" na Baía de Guantánamo, disse o general responsável pelo centro de detenção na base americana. O brigadeiro Mike Lehnert, do corpo de Fuzileiros Navais, disse na terça-feira à noite que o pedido de fundos foi apresentado ao Congresso na sexta-feira, e que os militares esperam uma resposta do Legislativo dentro dos próximos 15 dias. Lehnert previu que demorará 55 dias a construção de 408 celas em substituição às atuas instalações ao ar livre, cercadas de arame farpado. Já estão na base 158 detidos, supostos combatentes da rede terrorista Al-Qaeda e do deposto regime do Taleban. A prisão mais permanente, que será construída em outro local da base, poderia chegar a alojar até 2.000 detidos, disse Lehnert. Não informou quanto custará a obra. As autoridades não disseram por quanto tempo manterão ali os detidos, de 25 nacionalidades, que estão sendo submetidos a interrogatórios. Alguns poderão ser entregues a seus países de origem, informaram. Poucos países admitiram - entre eles Austrália, França, Grã-Bretanha e Iêmen - ter cidadãos seus entre os detidos. Hoje, o ministro do Interior da Arábia Saudita, príncipe Nayef, disse que pouco mais de 50 detidos são sauditas - e não 100, como se havia dito inicialmente. Seu país pediu para que os cidadãos sauditas lhes sejam entregues para serem interrogados. Também para hoje está previsto que as forças dos EUA em Kandahar iniciem a operação de transferência de mais prisioneiros da Al-Qaeda e do Taleban para a base de Guantánamo, onde deverão chegar na quinta-feira, disse em Washington um funcionário do Pentágono que pediu para ser mantido no anonimato. As transferências haviam sido interrompidas há duas semanas, para que os fuzileiros construíssem novas celas ao ar livre - criticadas pelos ativistas de direitos humanos como "jaulas" e desumanas. Agora, segundo o funcionário do Pentágono, há acomodação para 320 prisioneiros. Os EUA não revelaram quantos seriam transferidos hoje.Leia o especial

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