Militares dos EUA têm "olhar eletrônico" sobre o Afeganistão

O olhar eletrônico dos grupos avançados da 10ª Divisão de Infantaria de Montanha dos Estados Unidos espera todas as noites a "wa´i-hida", a hora de respirar dos guerreiros do Taleban. É o momento em que os soldados do mulá Mohamed Omar saem das cavernas onde se abrigam na região escarpada do Afeganistão para guarnecer pontos estratégicos, ativar linhas de suprimentos e estabelecer pontos avançados de ação armada. Há 32 dias, mesmo nas madrugadas sem luar, é também quando os combatentes são observados pelos grupos avançados da 10ª Divisão de Infantaria de Montanha (DM) dos Estados Unidos. Treinados para combate intenso, preparados para atuar no formato das forças especiais, esses soldados também são peritos em um novo tipo de ação: o monitoramento dos movimentos do inimigo por meio de uma pequena central de processamento de dados. Os computadores recebem e processam na frente de batalha, em tempo real, informações captadas por satélites e aviões E-8C de vigilância avançada. Os dados são combinados eletronicamente e permitem imediata tomada de decisões. Os homens do 1º Esquadrão de Reconhecimento da 10ª DM chegaram ao Uzbequistão nos primeiros dias de outubro com a missão infiltrar-se no Afeganistão para estabelecer contato, organizar, treinar e equipar o pequeno núcleo de qualidade das tropas da Aliança do Norte. Um número não revelado de outras equipes, partindo provavelmente do Paquistão, recebeu a incumbência de acompanhar os deslocamentos dos mujahedines do Taleban. Isso foi feito por meio de centrais leves informatizadas. Todos os computadores são do tipo portátil, dotados de recursos gráficos e conexões por sinais laser. As máquinas trabalham em rede e revelam nas telas o que as câmaras e sensores instalados nos satélites ou aviões captam em terra. A complementação dessa coleta de informações é feita por patrulhas de longa distância equipadas com sistemas de tecnologia ainda secreta, baseada no princípio do GPS (Ground Positioning System) que permitem estabelecer coordenadas ininterruptamente. Uma nova geração de artefatos desse tipo permite que um batalhão ou um único homem do Taleban movimentando-se furtivamente em um desfiladeiro seja acompanhado e, por exemplo, seu armamento pessoal, rádio e carga identificados com margem de erro inferior a 1%. Com esses fatos o Quartel General determina os alvos dos bombardeios com armas de precisão. No Afeganistão, esse formato foi adotado também por uma equipe especial do corpo de fuzileiros navais, os marines. Um dos líderes do treinamento dessa tropa na base de San Diego, Califórnia, o tenente coronel David Furquea, revelou à AE que o rendimento foi superior ao esperado. "Adotando o padrão da 10ª DM, só enfrentaram problemas secundários: excesso de ruído dos geradores, o ataque permanente de hackers às redes semi-abertas e a permanente ameaça das quedas de energia." Neste caso, as informações de reserva são "absolutamente convencionais", diz Furquea: "Limitam-se a um conjunto de coisas muito confiáveis, como mapas de papel, alfinetes coloridos e rádios digitais alimentados à bateria." A primeira missão dos soldados da 10ª DM que entraram na zona de combate a partir do Uzbequistão foi escalar um paredão de rocha de 3,5 mil metros de altura, carregando 23 quilos de equipamento, inclusive um fuzil M-14 calibre 5,56 milímetros. Durante a semana seguinte, o grupo dedicou-se a instalar as bases de campanha e a climatizar-se, fazendo exercícios equivalentes a corridas de 5 a 8 quilômetros para aprender a respirar melhor com menos oxigênio. Divididos em grupos menores, entraram em ação integral dez dias depois de terem cruzado a fronteira, em turnos de 72 horas por 24 de descanso. Leia o especial

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