Carlos Garcia Rawlins/Reuters
Carlos Garcia Rawlins/Reuters

Confrontos em protestos contra governo deixam 46 feridos em Caracas

Confusão começou quando dezenas de opositores tentaram bloquear uma autoestrada e lançaram pedras e coquetéis molotov contra a base aérea, onde um grupo de militares se rebelou ontem contra Maduro

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de maio de 2019 | 17h16
Atualizado 02 de maio de 2019 | 10h49

CARACAS - Pelo menos 46 pessoas ficaram feridas nos violentos confrontos ocorridos em algumas das manifestações contra o governo de Nicolás Maduro, que acontecem nesta quarta-feira, 1º, em toda a Venezuela, informaram fontes médicas. 

O número foi atualizado pelo centro de Saúde de Chacao, uma das quatro subdivisões político-administrativas da capital Caracas e que concentra o atendimento médico durante esses últimos protetos no país. A primeira informação era de que havia 27 feridos. Segundo o prefeito de Chacao, Gustavo Duque, pelo menos um dos feridos foi baleado no pé com arma de fogo. 

Em Caracas, os confrontos começaram quando dezenas de opositores tentaram bloquear uma autoestrada e lançaram pedras e coquetéis molotov contra a base aérea, onde um grupo de militares se rebelou ontem contra o presidente Maduro.

Da base, soldados da Guarda Nacional lançaram gás lacrimogêneo contra os manifestantes, que estavam encapuzados e faziam parte de uma passeata de centenas de pessoas.

Homens da Guarda Nacional também usaram gás lacrimogêneo para impedir o avanço de uma pequena mobilização no setor de El Paraíso, a uma distância de menos quatro quilômetros do palácio presidencial de Miraflores, conforme imagens da imprensa local.

 

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Em outros setores da cidade, como La Florida, membros da oposição denunciaram "repressão" da Guarda Nacional e da Polícia.

Na terça-feira, durante o frustrado levante militar liderado por Guaidó, houve distúrbios em várias cidades. De acordo com o governo e com organizações dos direitos humanos, uma pessoa morreu, e dezenas ficaram feridas.

ONU

Ainda nesta quarta-feira, os Estados Unidos condenaram os ataques contra "manifestantes pacíficos", afirmou o representante de Washington em um conselho permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA), Alexis Ludwin.

"Os Estados Unidos condenam, nos termos mais firmes, esses ataques contra manifestantes pacíficos", declarou Ludwin.

A sessão extraordinária dedicada à situação na Venezuela foi presidida pelo delegado do líder opositor venezuelano Juan Guaidó, o advogado Gustavo Tarre. Ele ocupa a cadeira de Caracas, depois que a OEA decidiu, em votação, não reconhecer os representantes de Maduro.

Tarre pediu que fossem exibidas imagens registradas pela imprensa na Venezuela, ontem. "Esses ataques não vão silenciar o povo venezuelano. O povo conhece a verdade", frisou.

Também nesta quarta-feira, a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, advertiu as autoridades venezuelanas para que evitem um "uso excessivo da força" contra os manifestantes. Ela convocou todas as partes a "renunciarem à violência".

"O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos está extremamente preocupado com as informações sobre o uso excessivo da força por parte das forças de segurança contra manifestantes na Venezuela, o que aparentemente deixou dezenas de feridos", declarou a porta-voz de Bachelet, Marta Hurtado, em um comunicado. "Segundo informações recebidas, muitos outros foram detidos", completou.

"Diante dos protestos em massa programados para hoje, fazemos um apelo a todas as partes para que mostrem a máxima moderação e, às autoridades, para que respeitem o direito à reunião pacífica", afirmou Hurtado. "Também advertimos contra o uso de uma linguagem que incite à violência", acrescentou.

Na declaração, a porta-voz de Bachelet lembra o governo venezuelano de seu dever de garantir a proteção dos direitos humanos de todos e ressalta que esta agência da ONU "continuará monitorando a evolução da situação no país". / AFP e EFE 

 

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