Militares e manifestantes voltam a se enfrentar no Egito

Conflito começou quando um manifestante pacifista foi detido e espancado pelas tropas egípcias

Agência Estado

18 de dezembro de 2011 | 09h22

Tropas militares e manifestantes tiveram hoje o terceiro dia consecutivo de embates no Cairo, com pedras sendo arremessadas nas proximidades do Parlamento, situado no centro da capital egípcia. Pelo menos dez manifestantes morreram e outros 441 ficaram feridos nos três dias de violência, de acordo com o Ministério da Saúde egípcio. Ativistas políticos disseram que a maioria das mortes no conflito foram causadas por ferimentos à bala.

Os conflitos começaram logo cedo na sexta-feira quando um dos vários manifestantes pacifistas que estavam protestando ao sentarem-se na frente dos gabinetes dos parlamentares foi detido e espancado pelas tropas egípcias. Os manifestantes começaram o protesto pacífico na frente do Parlamento há três semanas para exigir que a junta militar, que assumiu o comando da nação árabe depois da derrubada do regime de Hosni Mubarak pela revolta popular em fevereiro deste ano, deixe o poder imediatamente e o entregue a uma administração civil.

O confronto ocorrido neste domingo acontecia enquanto resultados preliminares de uma segunda rodada de votação nas eleições parlamentares mostraram que os partidos islâmicos, liderados pelo partido Irmandade Muçulmana, continuavam a dominar a votação. A terceira, e final, rodada de votação está prevista para o próximo mês em nove das 27 províncias do Egito.

Os militares têm reagido com exagerada força para esmagar o mais recente espasmo de violência, conforme pode se ver nas imagens de vídeo transmitidas pelas estações de TV regionais e postadas nas redes sociais. Soldados têm arrastado manifestantes femininas pelo cabelo, arrancando pelo menos uma peça de roupa, além de chutar e bater com cassetetes em outros manifestantes, derrubando-os ao chão.

Apesar de a última onda de violência envolver um número relativamente pequeno de manifestantes, os conflitos aumentaram ainda mais a tensão política no país, com os ativistas pró-democracia, que estiveram por trás da derrubada do regime Mubarak, acusando os generais militares de conduzirem mal o período de transição e de abusos em larga escala dos direitos humanos. Os partidos islâmicos têm se mantido distantes das recentes ondas de violência, temendo que a participação nos protestos pudesse ameaçar os seus ganhos eleitorais, postura essa que levou a muitos ativistas acusarem os islâmicos de oportunismo políticos. As informações são da Associated Press.

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