Militares egípcios dizem que não há mais prazo para anunciar presidente

A comissão eleitoral egípcia disse ontem não haver prazo para a divulgação do resultado da eleição presidencial do fim de semana, inicialmente prevista para hoje. Ambos os candidatos, o ex-premiê Ahmed Shafiq e o islâmico Mohamed Morsi, dizem ter vencido a votação. A medida, aliada a rumores de que a junta teria tramado os boatos da morte do ex-ditador Hosni Mubarak para livrá-lo da prisão, aumentou a tensão política no país.

CAIRO, O Estado de S.Paulo

21 de junho de 2012 | 03h07

"Não podemos anunciar a data exata do anúncio porque estamos analisando apelações dos candidatos", disse o secretário-geral da comissão eleitoral, Hatem Bagato. "O comitê vai se reunir ainda para decidir se as aceita ou não. Após isso, será estabelecido um cronograma para o anúncio final."

Segundo a comissão, quase 400 recursos ainda precisam ser julgados. Deles, 221 foram feitos pela campanha de Shafiq e 150, por Morsi. As queixas foram apresentadas ontem, em uma reunião de cinco horas. "Precisamos dar aos dois lados todo o tempo do qual eles necessitam para garantir que o processo seja justo ", acrescentou Bagato.

Shafiq, que é apoiado pela junta militar, denuncia fraudes em 14 das 27 províncias egípcias. De acordo com seus advogados, muitas das cédulas levadas aos centros de votação já tinham o nome de Morsi, candidato da Irmandade Muçulmana, assinalado. O islâmico acusa o rival de pôr militares para votar - o que é proibido - e contar os votos de mortos, além de fraudar 1 milhão de votos em seu favor.

Em meio ao clima de tensão, o Exército planeja reforçar a segurança no país, principalmente se Shafiq for eleito, informou o diário cairota Al-Ahram. O "plano B" tem a intenção de amenizar a possível revolta popular criada por uma vitória do candidato preferido pela junta. "Estamos nos preparando para uma grande onda de protesto que deve durar ao menos dois dias e pode ser incitada pela Irmandade Muçulmana se Shafiq for eleito presidente", disse uma fonte de segurança.

Ainda de acordo com a fonte, há planos de colocar o país em estado máximo de alerta - principalmente grandes centros urbanos como o Cairo, Alexandria e Ismaília.

Mubarak. Os egípcios reagiram com ceticismo à notícia do agravamento do estado de Mubarak, de 84 anos, que chegou a ter a morte clínica anunciada na terça-feira. Há o temor de que a junta militar tente livrar o líder do antigo regime de pena perpétua na Prisão de Torah e conseguir que ele se trate fora do país. Declarações de um de seus advogados corroboram essa versão.

Mubarak está internado há dois dias no Hospital Militar de Maadi. Segundo os médicos, ele teria sofrido uma parada cardíaca e um acidente vascular cerebral (AVC). Depois disso, teria entrado em coma e respiraria com ajuda de aparelhos.

Um de seus advogados, Youssri Abdel Razeq desmentiu essas informações e criticou a agência estatal Mena, responsável pela divulgação da morte clínica. Segundo ele, seu cliente sentiu-se mal e caiu no banheiro, com um coágulo no pescoço, mas foi rapidamente medicado e examinado. Seu estado de saúde, diz o advogado, era estável. Mubarak teria sido transferido da prisão bem antes das primeiras notícias sobre sua morte.

Fontes de baixa patente do Exército, sob condição de anonimato, disseram ao jornal The New York Times que os rumores eram parte de uma estratégia da junta militar para que Mubarak receba tratamento médico fora do Egito e, assim, escape da sentença de prisão perpétua. / AP, REUTERS E NYT

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