The New York Times
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Militares em Mianmar derrubam internet banda larga e acusam líder de 'violar segredo de Estado'

Escalada veio no momento em que o país completa dois meses do golpe dado pelo Exército, uma decisão que enfrentou ampla resistência pública, apesar da resposta letal dos militares

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de abril de 2021 | 17h04

YANGON - O regime militar que controla o poder em Mianmar ordenou a suspensão da internet de banda larga no país nesta quinta-feira, 1º, em meio à violenta repressão aos opositores que protestam contra derrubada do governo democraticamente eleito. A dirigente Aung San Suu Kyi, destituída pelos militares, foi acusada de violar uma lei sobre segredos de Estado que data da época colonial, segundo seu advogado. 

A escalada veio no momento em que o país completa dois meses do golpe dado pelo Exército, uma decisão que enfrentou ampla resistência pública, apesar da resposta letal dos militares. Segundo a Associação para a Assistência a Presos Políticos (AAPP), 535 pessoas, entre elas vários estudantes, adolescentes e crianças, morreram vítimas da repressão do regime e mais de 2 mil foram presas desde 1º de fevereiro, de acordo com ativistas locais.

A enviada especial das Nações Unidas para Mianmar, Christine Schraner Burgener, advertiu na quarta-feira que "um banho de sangue é iminente" se a comunidade internacional não agir para conter a violência. Sábado foi o dia mais sangrento desde o golpe, com tropas supostamente matando mais de 140 manifestantes em mais de 40 locais em todo o país.

A agência Reuters informou na quinta-feira que as ordens oficiais para interromper os serviços de banda larga sem fio não fornecem qualquer explicação. Os militares de Mianmar já haviam fechado o acesso à internet móvel e retardado o serviço de banda larga. 

Um advogado de Aung San Suu Kyi disse nesta quinta-feira que a líder deposta de Mianmar foi acusada na semana passada em Yangon de violar a lei de segredos do país, a mais séria acusação contra ela até agora. Ela já havia sido acusada de corrupção e "incitação à desordem pública".

O advogado disse que soube sobre as acusações contra a líder detida e vários outros membros de sua Liga Nacional para a Democracia (NLD) há dois dias. Se condenada, ela pode pegar até 14 anos de prisão.

Suu Kyi, de 75 anos, que os militares mantiveram sob prisão domiciliar por um total de 15 anos, é reverenciada pelo campo pró-democracia de Mianmar. Os apelos por sua libertação têm sido um grito de guerra entre os manifestantes nas ruas.

Suu Kyi ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 1991, embora nos últimos anos tenha enfrentado uma reação internacional por seu apoio às violentas campanhas militares contra a comunidade muçulmana Rohingya de Mianmar.

Os militares disseram que intervieram para destituir Suu Kyi após falsas alegações de fraude eleitoral em uma votação em novembro.

O golpe interrompeu a marcha incipiente de Mianmar em direção à democracia e abriu velhas frentes de conflito no país que já foi conhecido por sua diversidade étnica. Nas últimas semanas, os militares escalaram os ataques contra dois grupos de oposição, o Exército da Independência de Kachin (KIA) e a União Nacional Karen (KNU)./W.POST e AFP 

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