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EUA: Para conter onda de protestos, Estados recorrem ao Exército e prefeitos, a toque de recolher

Pelo menos 8 Estados receberão ajuda das forças de segurança para conter reação ao chocante assassinato de George Floyd por um policial

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2020 | 12h00
Atualizado 31 de maio de 2020 | 00h11

Pelo menos oito Estados americanos pediram ajuda das forças nacionais de segurança dos Estados Unidos neste sábado, 30, para conter uma violenta onda de protestos antirracistas após o assassinato de George Floyd, um homem negro de 46 anos asfixiado até a morte pelo policial Derek Chauvin em Minneapolis, na segunda-feira 25.Geórgia, Ohio, Colorado, Texas, Kentucky, Wisconsin e Utah, Estado onde o crime ocorreu e epicentro da crise, aguardam a chegada de reforços.

Em diversas cidades americanas, de Nova York, Los Angeles a Chicago, atos se intensificam na última sexta-feira, 29, com viaturas policiais queimadas e viradas de ponta-cabeça, ruas bloqueadas, prédios em chamas, lojas saqueadas e uma constante 'troca' de coquetéis molotovs, balas de borracha ou gás entre manifestantes e policiais. Vinte e cinco delas, como Atlanta, onde os protestos ficaram especialmente violentos, decretaram toques de recolher. Todas as estradas intermunicipais e interestaduais que levam à cidade de Minneapolis foram interditadas.

O embate já deixou dois mortos: um homem, de 19 anos, em Detroit, e um policial em Oakland. Dezenas de pessoas estão feridas, incluindo policiais e jornalistas, e centenas foram detidas. Em meio ao caos, o presidente dos EUA Donald Trump afirmou que a morte de George Floyd é uma grave "tragédia", e comparou os manifestantes a "saqueadores e anarquistas", pedindo "reconciliação".

Desde o começo da revolta com o caso, Trump tem consultado lideranças de Segurança, entre elas o Secretário de Defesa Mark Esper. O porta-voz do Pentágono, Jonathan Rath Hoffman, disse que o governo americano "está pronto para oferecer suporte para autoridades locais e estaduais assim que for solicitado". Embora não haja ainda um plano de ação centralizado oficial, autoridades dizem que as tropas da Guarda Nacional estão prontas para agir em caso de necessidade.

Caso Floyd

Floyd, um homem negro de 46 anos, foi morto durante uma abordagem policial em Minneapolis na segunda-feira 25. O policial Derek Chauvin foi acusado formalmente na sexta-feira por assassinato em terceiro grau e morte imprudente. O agente aparece em um vídeo ajoelhando sobre o pescoço de Floyd durante oito minutos, enquanto a vítima grita: "Não consigo respirar!", até perder a consciência.

 

Floyd era considerado suspeito pela polícia de utilizar uma nota falsa de US$ 20 em um supermercado da região. Segundo a legislação do Estado de Minnesota, o assassinato de terceiro grau é aquele em que a morte é causada de maneira não intencional, por um ato eminentemente perigoso. A pena para o crime é de até 25 anos de prisão.  

Neste sábado, a esposa de Derek Chauvin, Kellie Chauvin, anunciou que vai se separar do policial. Em nota divulgada à imprensa, ela disse estar 'devastada' com o caso./ AFP d WP

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