Militares exigem reformas no governo do Paquistão, diz 'New York Times'

Insatisfação com resposta de Islamabad às enchentes e economia frágil mobiliza Forças Armadas

estadão.com.br

29 de setembro de 2010 | 14h11

ISLAMABAD - Os militares do Paquistão estudam trocar o governo civil do país devido à ineficácia da gestão atual sobre as questões econômicas e na resposta às enchentes que afetaram boa parte da população paquistanesa, informa nesta quarta-feira, 29, o jornal americano New York Times.

 

Os militares, que se ocupam com uma guerra contra a insurgência no país, avisaram que não pretendem tomar o governo, como foi feito diversas vezes anteriormente, mas a resposta demorada da gestão do presidente Asif Ali Zardari à catástrofe das enchentes e a dependência da doação de outros países pode fazer com que as Forças Armadas tomem providências.

 

Autoridades dos EUA, país que também colabora com o Paquistão em âmbito econômico e militar, também se mostraram desiludidas com a gestão de Zardari, um presidente bastante impopular.

 

Segundo funcionários do governo e a imprensa paquistanesa, os militares pressionaram Zardari a, pelo menos, demitir alguns de seus 60 ministros, muito dos quais acusados de corrupção. O pedido foi interpretando como uma clara manifestação de insatisfação dos militares.

O governo, porém, resiste às pressões dos militares e Zardari se recusa a fazer quaisquer mudanças em seu gabinete. Além disso, o presidente defende sua gestão nas enchentes, alegando que qualquer equipe teria sérias dificuldades devido às dimensões da tragédia.

 

Ainda assim, é clara a pressão dos militares sobre o governo. O general Ashfaq Parvez Kayani, chefe da mais poderosa instituição do país, o Exército, se diz disposto a evitar a falência do país.

 

"Os erros na gestão econômica do governo é o centro de todos os problemas. Há uma insatisfação pública que cresce muito em relação a Zardari e seu partido", diz Rifaat Hussein, professor de Relações Internacionais da Universidade de Islamabad.

 

Além da exigência militar pelas reformas, Zardari ainda sofre pressões da Suprema Corte, que pede mais ações do governo contra a corrupção e ameaça tirar do presidente o benefício da impunidade, o que o exporia a acusações de lavagem de dinheiro na Suíça.

 

A maior parte da insatisfação se deve à resposta do governo às enchentes. O primeiro-ministro Yousef Reza Gilani despertou a ira da população ao aparecer um acampamento de desabrigados montado apenas para as câmeras da televisão. A mídia também mostrou diversos bens de luxo importados que foram entregues em sua casa no momento mais crítico das enchentes.

 

O presidente, por sua vez, foi demonizado por visitar a França enquanto a população de sua província natal, Sindh, sofria com as inundações.

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