Militares indianos afundam navio pirata na Somália

Em meio a ações de seqüestro, fragata atacou após ameaça; empresa de segurança Blackwater escoltará navios

Agências internacionais,

20 de novembro de 2008 | 07h29

Uma fragata militar indiana destruiu na quarta-feira, 19, um dos barcos pesqueiros que vinham sendo usados por piratas somalis para seqüestrar navios e tripulações na costa leste da África. A operação marcou o que pode ser o início de uma contra-ofensiva à ação de corsários que, desde janeiro, já capturaram mais de 90 embarcações e fizeram cerca de 500 reféns, ameaçando uma das principais rotas do comércio marítimo mundial.   Veja também: Mapa de todos os ataques reportados Piratas chamam atenção do mundo; Otan se reúne  Seqüestradores do superpetroleiro pedem resgate   A fragata INS Tabar abriu fogo contra o barco pirata quando navegava no Golfo de Áden, a 525 quilômetros da costa de Omã. "Houve incêndio e explosões no pesqueiro, provavelmente por causa da munição estocada", disse a Marinha indiana, em comunicado.Desde sábado - quando os corsários seqüestraram o saudita MV Sirius Star, um dos maiores superpetroleiros do mundo - pelo menos outros três ataques já foram registrados, envolvendo um pesqueiro tailandês e dois cargueiros, um de bandeira grega e outro de bandeira chinesa. O príncipe saudita Saud al-Faisal disse que a empresa dona do superpetroleiro já está negociando o pagamento de resgate (leia mais ao lado).   Até terça-feira, os EUA e os países europeus relutavam em se envolver em operações de resgate, mas, ontem, um navio da Marinha britânica matou dois suspeitos e prendeu outros oito, que foram entregues à Justiça do Quênia, sob a condição de que não fossem condenados à morte. O embaixador russo na Otan, Dmitri Rogozin, sugeriu que o contra-ataque aconteça em terra para reverter a vantagem que a extensão marítima tem dado aos piratas.   A companhia americana de segurança Blackwater - polêmica pela ação mercenária no Iraque - enviará nas próximas semanas uma embarcação com heliporto e 40 homens, para prestar serviço de escolta armada às empresas marítimas. Segundo o jornal britânico The Guardian, um dos principais destinos dos navios seqüestrados tem sido Eyl, uma antiga vila de pescadores na costa somali. Pelo menos 12 navios - um deles carregando 33 tanques e grande quantidade de armas - são mantidos na praia, à espera de resgate para serem liberados.   A chegada de centenas de piratas, a maioria portando aparelhos GPS, fuzis e lança-granadas, mudou a bucólica vila de 7 mil habitantes. "Todos os estudantes secundaristas estão deixando a escola para ir a Eyl porque eles vêem como seus amigos conseguiram ganhar muito dinheiro", disse o vice-ministro da Pesca na região de Puntland, Abdulqaadir Muuse Yusuf.   "Primeiro nós compramos uma bela casa e um carro. Depois, armas. O restante do dinheiro nós usamos para relaxar", contou um dos piratas ao jornal britânico The Guardian. Naimo, de 21 anos, disse que se casou no mês passado com um pirata que ela "nunca tinha visto antes". "É verdade que as garotas têm interesse em se casar com piratas por que eles têm muito dinheiro. Homens comuns não podem pagar por casamentos como esse."

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