Militares intensificam repressão aos protestos em Mianmá

Fotógrafo japonês é morto após soldados abrirem fogo contra multidão; opositores anunciam nove mortos

Agências internacionais,

27 de setembro de 2007 | 08h59

Um fotógrafo de uma agência de notícias japonês foi morto durante protestos na cidade birmanesa de Rangun nesta quinta-feira, 27. Segundo testemunhas, os soldados birmaneses atiraram contra os manifestantes concentrados no centro da capital, Rangun, que apoiavam com gritos e rezas um grupo de monges que exige a derrubada do regime militar do país.   Veja também Entenda a crise e o protesto dos monges  Austrália adota sanções financeiras  Mulher e filha de chefe militar deixam Mianmá Hill defende conversa entre China e EUA sobre Mianmá População apóia protesto dos monges Manifestantes foram se dispersando à medida que 200 soldados marchavam lentamente pelas ruas, com rifles e alto-falantes, lembrando o que ocorreu em 1988, quando cerca de 3.000 pessoas foram mortas durante protestos em todo o país. Tropas do governo teriam dito aos manifestantes que eles tinham 10 minutos para ir para casa ou seriam baleados. Cinco pessoas foram detidas pelos soldados depois de disparos terem sido efetuados para dispersar uma multidão perto de uma ponte sobre o Rio Pazundaung, próximo do centro de Rangun, a maior cidade do país. Um destacamento militar invadiu um hotel no centro da cidade, onde revistou quartos em busca de jornalistas que teriam entrado no país com visto de turista, segundo testemunhas citadas pela emissora de rádio birmanesa The Irrawady. Segundo veículos de comunicação opositores ao regime, pelo menos nove pessoas morreram. O governo reconhece apenas a morte de um monge. Na quarta-feira, sacerdotes budistas disseram que cinco deles foram mortos quando forças de segurança tentaram reprimir as enormes manifestações. A junta militar que governa Mianmar intensificou suas ações contra os maiores protestos no país em 20 anos. Tropas de choque entraram no templo de Sule, ponto final das marchas de mais de uma semana contra o governo militar e as dificuldades econômicas. Prisões Forças de segurança invadiram pelo menos seis mosteiros e prenderam cerca de 200 monges budistas na madrugada desta quinta-feira. Segundo testemunhas, os soldados invadiram os templos no meio da noite, quebrando janelas e espancando os monges que dormiam. Dois importantes membros do principal partido da oposição, a Liga Nacional para a Democracia, também foram presos. Segundo a Efe, um grupo de monges budistas prendeu funcionários da Junta Militar de Mianmar no mosteiro de Ngwekyaryan, no leste de Yangun, onde as forças de segurança voltaram a atirarnos manifestantes. Estima-se que os protestos desta quinta-feira tenham reunido cerca de 70.000 pessoas. Nas principais cidades, está em vigor desde terça-feira o toque de recolher noturno. Além disso, assembléias e reuniões de mais de cinco pessoas estão proibidas. As manifestações ganharam força nos últimos dias, quando monges budistas assumiram nos últimos dias a liderança dos protestos contra a junta. Os religiosos exigem que o governo peça desculpas por ter maltratado monges em uma manifestação ocorrida recentemente no norte do país.Nas semanas que antecederam a adesão dos monges, a população local vinha protestando em menor escala por causa do aumento do preço dos combustíveis em um dos países mais pobres de Ásia.    A China, aliada da junta militar, emitiu um raro alerta pedindo a todas as partes que "mantenham a contenção e lidem apropriadamente com os problemas que surgiram".

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