Militares iraquianos preparam ofensiva contra insurgentes

Participação de milícias e soldados voluntários xiitas conseguiu conter o avanço do Isil; governo quer recuperar áreas tomadas

O Estado de S. Paulo

20 de junho de 2014 | 11h11

BAGDÁ - Após o anúncio do presidente americano, Barack Obama, dizendo que os EUA enviarão 300 soldados para aconselhar e auxiliar a coordenar militares iraquianos no combate aos insurgentes sunitas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (Isil, na sigle em inglês), forças iraquianas avançam nesta sexta-feira, 20, para o norte para uma contra-ofensiva aos insurgentes.

Obama recusou um pedido de ataques aéreos feito pelo governo xiita do Iraque e renovou sua solicitação de que o primeiro-ministro Nuri al-Maliki tome mais medidas para superar as divisões sectárias que provocaram ressentimentos entre a minoria sunita.

Na área ao redor de Samarra, na principal rodovia a 100 quilômetros de Bagdá, que se tornou uma frente de batalha com o Isil, o governador da província, um dos raros sunitas que apoiam Maliki, disse que as tropas locais iriam forçar o grupo rebelde a recuar.

O governador da província de Saladino, Abdullah al-Jibouri, cuja capital provincial, Tikrit, foi tomada na semana passada, disse a soldados nesta sexta que é necessário recuperar os territórios tomados. "Essas tropas (do governo) não vão parar", afirmou, acrescentando que as forças ao redor de Samarra têm mais de 50 mil soldados.

A participação de milícias e milhares de soldados voluntários xiitas fez com que os militares iraquianos voltassem a ganhar força após deserções em massa na semana passada, que permitiram ao Isil conquistar territórios, como parte de sua ofensiva para criar um califado — Estado Islâmico — que se estenda entre Iraque e Síria.

"A estratégia nos últimos dias era ter uma nova linha de defesa que parasse o avanço do Isil", disse um aliado próximo de Maliki à Reuters. "Fomos bem-sucedidos em parar o avanço e agora estamos tentando recuperar as áreas desnecessariamente perdidas."

Em algumas regiões, o combate continua. Forças do governo aparentemente ainda controlam a refinaria de Baiji, a maior do país, 100 quilômetros ao norte de Samarra, disseram residentes.

Governo. O grão-aiatolá Ali Sistani pediu nesta sexta que o Parlamento recém-eleito comece a trabalhar e inicie sem demora o processo de formação do novo governo.

O sermão de Sistani, mais alta autoridade religiosa dos muçulmanos xiitas iraquianos, foi lido por seu representante no santuário Imã Hussein, em Karbala. Ele instou o Parlamento a se reunir logo, já que a corte federal do Iraque ratificou esta semana os resultados da eleição.

"A corte federal ratificou os resultados das eleições e há prazos, de acordo com a Constituição, para realizar a sessão do novo Parlamento que escolherá o presidente (do Legislativo), o presidente do país e o primeiro-ministro, e também formar o novo governo", disse. "É muito importante se comprometer com esses prazos e não violá-los."

De acordo com a Constituição, a primeira sessão do Parlamento deveria ser realizada no prazo de 15 dias após a ratificação dos resultados, mas blocos políticos estão divididos sobre realizar a reunião num momento de guerra contra insurgentes sunitas. / REUTERS

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