Militares mexicanos executaram 15 civis em setembro, diz relatório

Versão inicial dizia que patrulha havia enfrentado um grupo do crime organizado e 22 pessoas morreram no tiroteio

O Estado de S. Paulo

22 Outubro 2014 | 11h34

CIDADE DO MÉXICO - Um relatório apresentado na terça-feira pela Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH) mostra que oito militares mexicanos executaram 15 dos 22 civis mortos no dia 30 de junho após um confronto no município de Tlatlaya, no Estado do México. Os crimes constituem uma das "piores violações" dos direitos humanos por parte de integrantes do Exército, disse o presidente da CNDH, Raúl Plascencia.

A versão oficial apresentada inicialmente sobre o caso dizia que no dia 30 de junho uma patrulha militar enfrentou um grupo do crime organizado e 22 pessoas morreram. No entanto, segundo Plascencia, a investigação final confirmou que 15 das 22 vítimas foram assassinadas por oito militares em uma adega de Tlatlaya.

No relatório com os depoimentos de três sobreviventes, a CNDH indicou que 12 dos supostos delinquentes que tinham sido rendidos e outros três que estavam feridos foram mortos. Plascencia afirmou ainda que as autoridades alteraram o lugar dos fatos para tentar simular um tiroteio e adulteraram fotografias para esconder que se tratava de uma execução.

A comissão emitiu uma recomendação à Secretaria da Defesa Nacional (Sedena), à Procuradoria Geral da República (PGR) e ao governo do Estado do México para atender e reparar as famílias das vítimas, além de preparar devidamente o pessoal militar para que cumpra os protocolos nesses casos e investigue e julgue todos os envolvidos.

A PGR indiciou até o momento por "homicídio qualificado" três militares e outro por "encobrimento" do crime. O procurador-geral mexicano, Jesús Murillo, qualificou o fato como "homicídio qualificado grave", mas esclareceu que as investigações continuam abertas e pode haver mais acusados. / EFE

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