Militares nomeiam grupo para reformar constituição no Egito

Grupo com civis terá dez dias para apresentar emendas à Constituição, que serão votadas em referendo.

BBC Brasil, BBC

15 de fevereiro de 2011 | 18h12

Militares prometeram entregar o poder a um presidente eleito

Uma Comissão Constitucional que inclui um representante da Irmandade Muçulmana, principal grupo de oposição do Egito, foi nomeada nesta terça-feira pelo Conselho Militar que governa o Egito.

Os militares deram a seus oito membros dez dias para elaborar propostas de mudanças na Constituição, que depois serão submetidas, em até dois meses, a um referendo popular.

O conselho prometeu que entregará o poder egípcio a um governo eleito no prazo de seis meses.

A Comissão Constitucional é liderada pelo juiz aposentado Tariq El-Bishri, e entre os seus outros sete participantes há três especialistas constitucionais e um membro de alto escalão da Irmandade Muçulmana, que era banida durante o governo do ex-presidente Hosni Mubarak.

De acordo com uma mensagem divulgada pelos militares, a Comissão foi encarregada de "corrigir todos os artigos (da Constituição) como acharem necessário para garantir a democracia e a integridade das eleições presidenciais e parlamentares".

O correspondente da BBC no Cairo Jon Leyne relata que a rapidez dos trabalhos e da transição para um poder civil devem agradar a oposição e a população, mas alguns analistas advertem que o prazo para reformar a Constituição pode ser curto demais para sua magnitude.

Até então, a Constituição concentrava os poderes na mão de Mubarak - forçado a renunciar na última sexta-feira, pressionado por 18 dias consecutivos de protestos populares - e de seus aliados.

A Constituição foi suspensa pelos militares no domingo, no mesmo dia em que o Parlamento foi dissolvido.

Greves

O Conselho Militar voltou a pedir o fim das greves que se proliferaram no país nos últimos dias e que aumentaram a paralisia da economia egípcia, já prejudicada pelos 18 dias de protesto anti-Mubarak.

"O Conselho Supremo está ciente das circunstâncias econômicas e sociais pelas quais a sociedade está passando, mas isso não poderá ser resolvido até que acabem as greves e os protestos", declararam os militares, segundo a agência estatal Mena. "Os resultados (das greves) serão desastrosos."

As greves diminuíram de intensidade nesta terça, principalmente porque escritórios e negócios fecharam em decorrência de um feriado islâmico.

Mas correspondentes relaram que protestos menores continuam no interior do país, promovidos por trabalhadores que exigem salários maiores.

Mubarak

Enquanto isso, há relatos de que a saúde de Mubarak, 82, estaria se deteriorando.

O ex-presidente está supostamente isolado em sua residência no balneário de Sharm El-Sheikh, na costa egípcia do Mar Vermelho.

O jornal saudita Asharq Al-Awsat relatou nesta terça, citando fontes militares, que o estado de saúde de Mubarak está "declinando drasticamente" e que ele se recusou a viajar ao exterior para tratamento.

Em seu último discurso à nação, o ex-presidente disse que morreria no Egito. Ele não foi visto em público desde sua renúncia.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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