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Militares perdem força na Turquia

A era dos golpes militares na Turquia parece ter ficado no passado depois do desmantelamento de uma suposta conspiração envolvendo oficiais do Exército que foram presos nas últimas semanas. A ação acontece um ano depois de as Forças Armadas terem fracassado na tentativa de banir da política o Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, na sigla em turco). Ao mesmo tempo, alguns questionam se o enfraquecimento dos generais não significa, na verdade, o fim da república laica instalada em 1923 por Mustafá Kemal Ataturk, depois do colapso do Império Otomano, no fim da 1ª. Guerra.

AE, Agencia Estado

08 de março de 2010 | 08h33

Analistas afirmam não haver mais espaço para os militares derrubarem governos quando se considerarem insatisfeitos, como ocorreu uma série de vezes no passado, sendo a última em 1997. "Ainda é cedo para dizer se as prisões solidificarão as atitudes dos oficiais mais radicais ou se a era dos golpes acabou", afirmou em análise Henri Barkey, do Carnegie Institute for International Peace, em Washington. "Todos os sinais apontam para a segunda opção."

Para Mumtazer Turkone, analista do diário "Today''s Zaman", de Istambul, os militares perderam a sua força decisiva na política. "Mas os militares não terão a capacidade de derrubar um governo no futuro? Sim, eles ainda têm a capacidade", diz, mas seriam necessários "oficiais loucos". "Ainda que existam alguns, os normais não permitirão uma aventura dessa."

A sociedade turca se divide atualmente em dois grupos. O primeiro, que apoia o governo, é composto por uma classe média emergente de muçulmanos mais conservadores, que inclui o premiê Recep Tayyip Erdogan e o presidente Abdullag Gul. Ambos são do AKP e religiosos, com suas mulheres cobrindo a cabeça com o hijab. Também integram essa coalizão intelectuais liberais e as camadas mais baixas da população, do interior, que foram favorecidas com o crescimento econômico dos últimos anos - interrompido depois da crise financeira internacional.

Do outro lado, estão as Forças Armadas e a burocracia do Estado que eram a base de sustentação tradicional dos seguidores de Ataturk, que secularizou o país, adotando inclusive o alfabeto latino para substituir o árabe e proibindo o uso de hijab em universidades e instituições públicas.

Elite

Entre os dois lados, está a elite ocidentalizada de Istambul. Eles admiram os avanços econômicos de Erdogan e as suas iniciativas para integrar a União Europeia. Tampouco concordam com os métodos não-democráticos do Exército. Ao mesmo tempo, os sofisticados moradores de bairros como Nisantasi têm arrepios quando veem mulheres cobertas circulando pelas lojas e restaurantes desta espécie de Jardins de Istambul. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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