Militares prendem governador leal a Chávez

Dispostos a sufocar focos de resistência chavistas ao governo instalado no país, doisgenerais venezuelanos detiveram hoje o governador do Estado de Táchira, Ronald Blanco, que se negava a reconhecer a autoridade de Pedro Carmona como novo presidente da Venezuela. Os militares invadiram a sede do governo estadual, deram vozde prisão a Blanco e o levaram de helicóptero para a base Forte Tiúna, em Caracas.Antes da prisão, Blanco havia convocado uma entrevista coletiva para anunciar que se mantinha leal a Hugo Chávez, condenando o golpe militar que havia destituído o presidente. Durante a conversa com jornalistas, o governador cobrou também dos militares a divulgação do suposto documento no qual Chávez firmou sua renúncia. "Não houve renúncia, mas sim um golpe de Estado contra um governo legitimamente eleito e a designação de um presidente, não pela Assembléia Nacional, mas por um grupo de militares", disse.Blanco é um dos 17 governadores estaduais do Movimento V República (MVR), o partido de Chávez, e esperava-se novos casos de rebeldia em relação à nomeação de Carmona. Simpatizantes do MVR que tinham formado caravanas de veículos para apoiar a rebeldia de Blanco deixaram as ruas logo depois da prisão do governador, dando lugar à manifestação festiva das forças que emergiram após a queda de Chávez. Blanco pediu aos veículos de comunicação que tenham a "decência" de apresentar os dois enfoques do assunto e não apenas o "oficial".A respeito de sua posição no Estado de Táchira, fronteiriço com a Colômbia, o governador disse que não pensa em renunciar, pois foi o povo que o elegeu, então o povo deverá tirá-lo do cargo. Blanco também denunciou que o partido Copei incitou seus partidários para que tomassem a sede do governo regional e pediu calma e tranqüilidade a seus co-cidadãos, enquanto caravanas departidários do Copei e oficialistas percorriam a cidade.Em Caracas, o temor das forças de segurança de que partidários do chavismo - particularmente os militantes dos chamados Círculos Bolivarianos - pudessem se organizar para resistir ao golpe não se concretizou. As ruas da capital estavam tranqüilas hoje, apesar do movimento pouco comum de veículos militares.O deputado chavista Francisco Ameliach afirmou que a Guarda de Honra da Presidência se manteve leal a Chávez até o último instante e mostrou disposição de enfrentar os militares e resistir ao golpe. Segundo ele, o derramento de mais sangue na crise política venezuelana só foi evitado com a decisão de Chávez de se entregar pacificamente aos altos oficiais que estavam no Palácio de Miraflores para forçar sua renúncia.O procurador-geral da Venezuela, Isaías Rodríguez, disse hoje que Chávez não renunciou à presidência, apesar de sua demissão ter sido anunciada pelas Forças Armadas. Rodríguez, que foi o primeiro vice-presidente do governo deChávez e foi nomeado promotor pela Assembléia Nacional, sustentou que no país "não há estado de direito". A junta provisória, liderada por Carmona, "não é constitucional, não tem validade alguma e não tem validade internacional". Rodríguez também disse que em nenhum momento o Ministério Público mostrou o registro escrito dessa renúncia.Para saber mais sobre a Venezuela e os recentes acontecimentos que desencadearam a crise política no país acesse o especial Grandes Acontecimentos Internacionais: Venezuela

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