Ludovic Marin/AFP
Ludovic Marin/AFP

Militares prendem presidente e primeiro-ministro de transição no Mali

Golpistas e militares mantiveram influência sobre o governo desde o golpe de agosto, levantando dúvidas sobre o compromisso de realizar eleições no início do próximo ano

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2021 | 22h45

BAMAKO - Militares do Mali, insatisfeitos com a remodelação do governo anunciada pelas autoridades de transição, detiveram o presidente e o primeiro-ministro nesta segunda-feira, 24, em um golpe que abalou o país africano, mergulhado por anos em uma crise profunda. 

O presidente Bah Ndaw e o primeiro-ministro Moctar Ouane lideram um governo de transição que foi instalado após um golpe em agosto, para neutralizar a ameaça de sanções internacionais. 

No entanto, os golpistas e militares mantiveram influência sobre o governo, levantando dúvidas sobre o compromisso de realizar eleições no início do próximo ano. 

Dois altos funcionários que pediram para não ser identificados disseram à agência France Presse que os soldados levaram Ndaw e Ouane para o acampamento militar de Kati, fora da capital Bamako. Nesse mesmo quartel estão os líderes golpistas da revolta militar de 18 de agosto que derrubou o ex-governante.

As prisões se seguiram à remodelação do gabinete na tarde de segunda-feira, em resposta às crescentes críticas ao governo interino.

Na mudança, os militares mantiveram os ministérios estratégicos que já controlavam no governo, mas dois golpistas, o ex-ministro da Defesa Sadio Camara e o ex-ministro da Segurança, coronel Modibo Kone, foram excluídos. 

Elas também ocorrem em um momento de greve do Sindicato Nacional dos Trabalhadores, a mais importante central sindical do país, e em meio a problemas de segurança pública na região norte.

Enquanto isso, rumores de um possível golpe de estado circulavam na capital, embora a cidade permanecesse calma. 

O primeiro-ministro Ouane disse à France-Presse, em um breve contato telefônico antes do corte da linha, que os soldados tinham ido atrás dele. 

A missão da ONU no Mali (MINUSMA) pediu em um tuíte por calma e a libertação imediata de Ndaw e Ouane. “Aqueles que os detêm terão de responder por suas ações”, advertiu a missão da ONU.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, fez um apelo nesta segunda à calma no Mali e pediu a libertação incondicional de seus líderes civis. 

Segundo diplomatas, o Conselho de Segurança da ONU poderá celebrar uma reunião de emergência nos próximos dias sobre a situação no Mali.

Mais cedo nesta segunda, a CEDEAO (Comunidade de Estados da África Ocidental), a União Africana, a força da ONU no Mali (Minusma), França, Estados Unidos, Alemanha e União Europeia condenaram, em um comunicado conjunto, energicamente a tentativa de golpe dos militares. 

Os líderes da União Europeia (UE) condenaram o que chamaram de sequestro do presidente civil e primeiro-ministro do Mali, disse o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel. 

"O que aconteceu é muito sério e estamos prontos para considerar as medidas necessárias", disse Michel a jornalistas após uma cúpula dos 27 governantes da UE./AFP e EFE

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