(AP Photo / Nickee Butlangan)
(AP Photo / Nickee Butlangan)

Militares procuram caixas-pretas após queda de avião que deixou ao menos 52 mortos nas Filipinas

O acidente foi o mais letal da história da Força Aérea filipina, segundo um analista militar

Nickee Butlangan/AFP, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2021 | 09h00
Atualizado 05 de julho de 2021 | 11h23

As forças de segurança das Filipinas percorreram nesta segunda-feira, 5, uma ilha remota no sul do país para procurar as caixas-pretas com as informações do avião que caiu no domingo e provocou ao menos 52 mortes, em um dos mais graves acidentes aéreos militares na história do país.

O avião Hércules C-130 transportava 96 pessoas, em sua maioria militares recentemente formados, quando saiu da pista no domingo ao tentar pousar na ilha de Jolo, província de Sulu, um reduto de forte atuação de militantes islâmicos.

Entre os mortos estão 49 militares e três civis. O avião pegou fogo depois de sair da pista , informou o porta-voz das Forças Armadas das Filipinas, o general Edgard Arévalo.

Três pessoas morreram em terra, quando trabalhavam em uma pedreira, informou um funcionário do governo local, Tanda Hailid.

Fotos divulgadas pelas equipes de emergência mostram a cauda danificada do avião e os restos fumegantes da fuselagem entre uma plantação de coco.

"Temos pessoas no local para proteger as peças de evidências que vamos recuperar, em especial o registro de informações de voo", disse Arévalo.

Ele destacou que a investigação inclui o relato de testemunhas, gravações e as conversas de rádio entre o piloto e a torre de controle.

A maioria dos passageiros concluiu recentemente o treinamento militar básico. Eles foram enviados à ilha como parte de um esforço para combater os insurgentes na área de maioria muçulmana.

Os militares têm uma forte presença no sul das Filipinas, onde operam grupos rebeldes, como o Abu Sayyaf, conhecido pelos sequestros.

"Esta é uma das piores tragédias que aconteceram às nossas Forças Armadas", disse Arévalo.

Os C-130 foram os principais aviões das Forças Aéreas em todo o mundo durante décadas. As aeronaves são utilizadas para transportar soldados, mantimentos e veículos.

O Hércules de segunda mão que sofreu o acidente no domingo foi comprado dos Estados Unidos e entregue há alguns meses às Filipinas.

O avião é um dos quatro na frota do país. Dois estão em manutenção e o quarto parou de operar após o acidente.

"São pilotos experientes, por isso não podemos dizer imediatamente o que aconteceu", afirmou Arévalo.

"As aeronaves não são novas, mas estão em condições adequadas de uso", completou.

O acidente foi o mais letal da história da Força Aérea filipina, afirmou o analista militar José Antonio Custodio.

A queda de um PAF C-47, em 1971, provocou 40 mortes, recordou o historiador.

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