Militares prorrogam prisão de líder opositora em Mianmar

Detida desde 1988, Aung San Suu Kyi é considerada ícone da luta pela democracia no país

Associated Press e Efe,

27 de maio de 2008 | 10h54

A junta militar de Mianmar prorrogou nesta terça-feira, 27, a detenção da ativista Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz e líder do movimento democrático. Um funcionário do governo de Mianmar anunciou sob condição de anonimato que a prisão domiciliar da líder de oposição à junta foi prorrogada por mais um ano. Aung San Suu Kyi está detida ininterruptamente desde maio de 2003, a maior parte desse tempo em prisão domiciliar. Ela passou 12 dos últimos 18 anos detida sem julgamento. Não ficou claro se a prorrogação será válida por seis meses ou por um ano. A medida tornou-se oficial a partir do momento em que ela foi notificada formalmente, o que aconteceu minutos depois da decisão. O regime renova periodicamente a prisão domiciliar de Suu Kyi, de 62 anos e que tem dois filhos que moram no Reino Unido, pois tiveram seus passaportes birmaneses retirados há alguns anos.  Poucas horas antes, alguns membros da Liga Nacional pela Democracia (LND), dirigida por Suu Kyi, foram detidos quando abandonaram a sede do partido em Rangun. Segundo testemunhas, agentes de segurança prenderam os opositores, que se dirigiam para suas casas após deixarem a sede do partido. Ao amanhecer, dezenas de policiais vestidos à paisana e membros da milícia pró-governamental foram posicionados em volta da residência da Nobel da Paz. A polícia também posicionou pelo menos seis caminhões cheios de policiais nas proximidades da sede da LND. A operação foi realizada enquanto o partido se preparava para realizar um ato por ocasião do 18.º aniversário da vitória da oposição nas últimas eleições legislativas, cujos resultados nunca foram reconhecidos pelos generais que regem o país. A Junta Militar não respondeu até agora a todos os apelos feitos pelas Nações Unidas, pela União Européia (UE), pelos Estados Unidos e por outros países para que libertem de forma incondicional Suu Kyi, considerada um símbolo da democracia por muitos birmaneses.

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