Mohamed Abd El-Ghany/Reuters
Mohamed Abd El-Ghany/Reuters

Militares querem supervisionar elaboração de Constituição no Egito

Vitória de partidos islâmicos nas eleições parlamentares preocupam Exército e grupos liberais

Agência Estado

07 de dezembro de 2011 | 18h10

CAIRO - O Conselho Militar que governa o Egito informou nesta quarta-feira, 7, que o Parlamento, que será eleito em três etapas eleitorais, não será representativo o suficiente para supervisionar de forma independente a elaboração de uma nova Constituição e que os militares vão indicar um conselho para gerir o processo e proteger a Carta Magna da influência de extremistas religiosos.

 

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O Egito acabou de encerrar o estágio inicial de suas primeiras eleições desde a queda de Hosni Mubarak, em fevereiro. Partidos islamitas conquistaram a grande maioria dos votos. Na teoria, o novo Parlamento terá a função de formar uma Assembleia Constituinte com cem integrantes que vai escrever a nova Constituição.

 

Mas liberais e militares temem que extremistas religiosos exerçam muita influência sobre esse processo. "O Parlamento não representa todos os setores da sociedade", disse o general Mukhtar Mulla, integrante do Conselho Militar que tomou o controle quando Mubarak foi derrubado durante um levante popular.

 

Para ele, a Constituição deve representar todo o Egito e não apenas uma maioria parlamentar. "Estamos nos primeiros estágios da democracia", declarou ele. "Não se trata de desconfiança em relação ao Parlamento. O que vemos são eleições livres e justas...mas certamente (o resultado) não representa todos os setores da sociedade."

 

Questionado se o novo conselho é uma tentativa de limitar a influência dos salafistas, que conquistaram um quarto dos votos, Mulla disse: "absolutamente. Não (o conselho militar). O povo egípcio não vai permitir que isso aconteça." Os salafistas querem impor uma rígida versão da lei islâmica, a sharia, no Egito.

 

O órgão que será criado pelos militares será composto por membros de partidos políticos, intelectuais e candidatos presidenciais, assim como artistas e membros de organizações, disse Mulla.

 

Não está claro como o novo conselho vai negociar com o Parlamento as diretrizes para a escolha dos integrantes da Assembleia Constituinte. Mas quando o Conselho Supremo das Forças Armadas levantou a ideia de nomear 80 dos 100 membros do grupo para proteger o papel político da Constituição no futuro, a ideia provocou repercussão entre islamitas e liberais.

 

Mulla disse que o novo conselho vai atuar com o Parlamento e o gabinete para assegurar que a Assembleia Constituinte escreva uma Constituição que represente todas as religiões, profissões e partidos políticos. As informações são Associated Press.

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