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REUTERS/Alessandro Cinque
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Militares reformados pedem às Forças Armadas que não reconheçam Castillo sem recurso de Keiko

No documento, os oficiais expressam sua profunda preocupação com o que chamam de ameaça que paira sobre a estabilidade democrática do país

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2021 | 23h52

LIMA - Uma carta supostamente assinada por centenas de oficiais reformados pede aos comandantes das Forças Armadas do Peru que ignorem o candidato de esquerda Pedro Castillo se as reivindicações da candidata de direita Keiko Fujimori alegando fraude não forem aceitas e ele for proclamado vencedor do segundo turno das eleições presidenciais.

Fontes do Ministério da Defesa confirmaram à agência EFE que os chefes do Comando Conjunto das Forças Armadas receberam uma carta na qual se argumenta que as autoridades militares não poderiam aceitar um chefe supremo investido ilegitimamente em decorrência de fraude ou fruto de irregularidades.

Keiko Fujimori, que perdeu a contagem de votos, e seus aliados políticos são os únicos que sustentam a existência de fraude eleitoral, sem terem fornecido evidências confiáveis. Nesse sentido, eles pediram aos tribunais eleitorais que anulassem centenas de milhares de votos em áreas amplamente dominadas por Castillo.

A carta foi recebida pelo chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas, general César Astudillo; pelo comandante-geral da Marinha, almirante Ricardo Menéndez; pelo comandante-geral do Exército, general Manuel Gómez de la Torre, e pelo comandante-geral da Aeronáutica, General Rodolfo Pereyra.

No entanto, a carta, que contém uma extensa lista de nomes, não tem assinaturas, e observa-se preliminarmente que há pelo menos quatro ou cinco mortos entre os subscritos, indicaram fontes oficiais. Por esta razão, o ministério submeterá a carta a uma investigação para verificar sua autenticidade e então determinar se uma denúncia é apropriada sobre seu conteúdo. Aparentemente, eles podem estar cometendo crimes graves por incitarem a violar a Constituição e as leis peruanas.

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No documento, os oficiais reformados expressam sua profunda preocupação com o que chamam de ameaça que paira sobre a estabilidade democrática do país, em função da forma como foi realizada a eleição, que deu 50,12% dos votos para o candidato esquerdista.

Na carta, os militares apoiam a versão de Keiko de que o partido de seu rival teria cometido fraude sistemática com falsas assinaturas e adulterações na votação.

Nesse sentido, argumentam que se o Júri Eleitoral Nacional (JNE) ignorar ou indeferir as denúncias da Força Popular e proclamar um vencedor ignorando suas funções e responsabilidades, o país teria um presidente ilegal, declarado ilegitimamente, em decorrência de um crime cometido por atores eleitorais.

O JNE já está analisando as reclamações apresentadas pela Força Popular, a grande maioria das quais foram ajuizadas fora do prazo legal estabelecido pela norma. Até o momento, nenhum caso dos analisados ​​provou que Keiko estava certa, já que não forneceu nenhuma prova confiável de suas denúncias.

Desobediência e insurgência 

Conforme alegado pelos militares reformados, a Constituição reconhece o direito de não obediência e de ignorar como presidente e chefe supremo das Forças Armadas e da Polícia Nacional "aquele que foi nomeado em violação da Constituição e das Leis do país". "Pode-se apelar ao Congresso da República para que dê uma solução democrática e nos termos da Lei.”

Lembraram também que a população civil tem direito à insurgência em defesa da ordem constitucional. "Os atos dos usurpadores de funções públicas são nulos.”

A carta dos ex-uniformizados se soma a outras publicadas nas redes sociais nos últimos dias, por autoridades exaltadas, que têm alimentado o clima de tensão e incerteza sobre o resultado da votação no Peru.

Keiko insistiu nesta quinta-feira que há denúncias de irregularidades, manipulação, planejadas por membros do Peru Libre, partido de Castillo, e pediu que o JNE aceite seus pedidos de anulação de votos, apesar de terem chegado fora do prazo. O JNE indicou que só anunciará o resultado do segundo turno presidencial quando tiver resolvido todas as atas observadas e os pedidos de anulação./EFE

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