AFP PHOTO / STEPHANE DE SAKUTIN
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Polícia prende suspeito de atropelar militares em Paris

Em suposta nova tentativa de atentado terrorista, homem de 37 anos e sem antecedentes por radicalismo islâmico acelerou uma BMW e feriu seis soldados que realizavam uma operação antiterrorismo 

Andrei Netto, correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

09 Agosto 2017 | 04h39
Atualizado 09 Agosto 2017 | 10h25

PARIS - A polícia da França feriu a tiros e prendeu nesta quarta-feira, 9, um homem suspeito de ter atacado militares atropelando-os com um automóvel pouco antes na cidade de Levallois-Perret, na região metropolitana de Paris.

O agressor acelerou um automóvel BMW na contramão e atingiu um grupo de soldados que integram a Operação Sentinela, que reforça o policiamento contra o terrorismo na França. Dos seis feridos, três foram internados em estado grave. A seção antiterrorismo do Ministério Público de Paris abriu uma investigação para apurar o caso.

O ataque aconteceu por volta das 8h (3h em Brasília), quando o motorista do veículo acelerou contra um grupo de militares do 35.º Regimento de Infantaria, deslocados para a operação antiterrorista. Os soldados foram socorridos imediatamente, enquanto o responsável pelo ataque fugiu.

Deu-se então início a uma caçada na região parisiense, até que quase quatro horas depois o automóvel utilizado no ataque foi localizado em uma rodovia que leva a Calais, no extremo norte do país. No momento da interpelação, o suspeito foi ferido com cinco tiros pela polícia, assim como um agente.

O nome do suposto autor do ataque, que sobreviveu aos ferimentos, ainda é desconhecido. Segundo o Ministério do Interior, ele nasceu em 1980 e não era monitorado pelos serviços secretos por proximidade com grupos radicais muçulmanos ou com o grupo jihadista Estado Islâmico (EI). 

As razões do ataque ainda são desconhecidas, embora o Ministério Público tenha aberto investigação por "tentativas de assassinato contra pessoas depositárias de autoridade pública em vínculo com atentado terrorista".

Segundo o ministro do Interior, Gérard Collomb, ainda não há confirmação de que se trate de um novo ataque. "Nós sabemos até aqui que se trata de um ato deliberado, e não de um ato acidental", afirmou ele, que visitou os feridos em um hospital na cidade de Saint-Mandé. 

O ataque aos militares não é o primeiro neste ano na França. No sábado, um doente mental tentou atacar com uma faca militares que realizavam o policiamento da Torre Eiffel, em Paris, antes de ser preso. Em março, um homem de 39 anos tomou como refém uma soldado e tentou agredir dois outros que realizavam o patrulhamento do Aeroporto Internacional de Orly, nas imediações de Paris. O responsável pela ação acabou abatido a tiros. Antes, em fevereiro, um egípcio de 29 anos atacou com um cutelo e feriu sem gravidade um militar no Museu do Louvre, na capital. Outros três ataques do gênero já haviam acontecido desde 2015. 

A Operação Sentinela foi organizada após os atentados de janeiro de 2015, marcados por ataques à revista satírica Charlie Hebdo, a policiais e a um hipermercado judaico. Desde então, 7 mil militares participam do policiamento de prédios públicos, redes de transporte e regiões turísticas.

O uso intenso do reforço militar em meio ao estado de emergência – regime de exceção no qual a França está desde o dia 14 de novembro de 2015 – deixou o Exército em situação de exaustão. Em 14 de julho, o presidente Emmanuel Macron anunciou a intenção de rever a doutrina de intervenção das Forças Armadas e reorganizar a Operação Sentinela de forma a aumentar sua efetividade no combate ao terrorismo. Ainda não está claro se os soldados serão retirados do patrulhamento urbano.

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