Militares sírios fogem com parentes e desertam na Turquia

Ao todo, 33 membros das Forças Armadas de Damasco - incluindo altos oficiais - cruzaram a fronteira com a família

ANCARA, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2012 | 03h06

A agência de notícias oficial turca Anadolu informou que 33 militares sírios - entre eles 3 oficiais de alta patente - desertaram entre a noite do domingo e a madrugada de ontem, cruzando a fronteira em direção à Turquia com suas famílias. Segundo funcionários do governo de Ancara, um brigadeiro sírio havia desertado dias antes.

Mas há pelo menos duas versões sobre as recentes deserções. Segundo uma fonte ligada ao governo turco, três coronéis fugiram da Síria no último fluxo. Já a Anadolu afirmou que um general estava entre os oficiais que desertaram entre domingo e ontem.

Milhares de integrantes das Forças Armadas já abandonaram o regime do presidente Bashar Assad desde o início da crise na Síria, em março de 2011. Mas, em sua maioria, os desertores são militares de baixa patente. O Exército Sírio Livre - milícia rebelde com base na Turquia - é composto amplamente por esses soldados.

Segundo a Anadolu, 224 pessoas cruzaram a fronteira em direção ao território turco, entre os militares e seus parentes.

Ataques. O governo da Turquia afirmou ontem que um outro avião militar - de transporte, busca e resgate - foi atacado pelas Forças Armadas sírias, mas a aeronave não foi derrubada, como ocorreu na sexta-feira.

A nova denúncia de Ancara contra o regime de Assad foi feita na véspera de uma reunião de emergência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que hoje deverá definir a reação do Ocidente diante da ação ocorrida no fim da semana. De acordo com o vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinc, o avião atacado ontem participava das buscas ao caça Phantom RF-4E derrubado na sexta-feira - que teria sido localizado no Mar Mediterrâneo, segundo informações não oficiais.

Arinc não disse, porém, onde ocorreu o segundo ataque ou se a aeronave foi atingida. Ele afirmou que a Síria "não sairá impune", mas a Turquia "não tem intenção" de entrar em guerra.

O vice-primeiro-ministro afirmou que o governo de Ancara vai pedir à Otan que considere a derrubada do caça turco um ataque contra toda a aliança atlântica na reunião de hoje. O país vai fundamentar seu pedido no Artigo 5.º do tratado da organização, que determina que a Otan considere ataques a seus membros como ações contra toda a aliança.

A Turquia afirma que seu jato estava desarmado e fazia uma missão de reconhecimento em espaço aéreo internacional quando foi atacado. A Síria assegura que o caça invadiu seu espaço aéreo. / AP e REUTERS

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