''Militares só têm a opção de respeitar vontade do povo''

Osama el-Ghazali, dirigente do opositor partido da frente democrática

, O Estado de S.Paulo

13 de fevereiro de 2011 | 00h00

As Forças Armadas são confiáveis e parecem unidas e conscientes de que seu papel é garantir a transição para a democracia. A convicção é de Osama el-Ghazali Harb, líder do Partido da Frente Democrática, ligado a Mohamed ElBaradei, uma das figuras mais proeminentes da oposição egípcia. Em entrevista ao Estado, El-Ghazali disse ontem que é cedo para lançar candidatos a presidente.

O sr. ficou supreso com a renúncia de Mubarak?

Não. Fiquei surpreso de ter demorado tanto. Esta foi a mais pura e genuína revolução da história do Egito, desde o tempo dos faraós.

Existe o risco de os militares quererem ficar no poder?

Não. Tenho certeza de que eles farão a transição para a democracia. Se o povo tivesse ficado em casa, poderia haver um golpe. Os militares não têm escolha a não ser fazer a vontade do povo.

A cúpula das Forças Armadas pode ter alguma divisão?

Não tenho nenhuma informação de divisão entre eles. É claro que tudo pode acontecer. Mas, até aqui, os militares agiram de forma muito honrada e demonstram entender que seu papel na política do país é temporário.

Eles devem agora chamar os líderes políticos para discutir como será a transição?

O lógico é que eles chamem. Eu não fui contatado ainda.

Como o sr. imagina esse processo?

Precisamos de algumas emendas na Constituição e de algumas reformas institucionais para termos uma base mínima para a transição para a democracia. Claro que os militares precisam saber com quem devem se sentar. A revolução foi feita pelos jovens, mas não são eles que vão governar o país. Eles precisam chamar os integrantes honestos e sérios da elite política.

O sr. defende o julgamento de Mubarak?

Isso não é prioridade agora.

A Justiça é confiável?

Sim. A Justiça e as Forças Armadas são as únicas instituições confiáveis no Egito.

O sr. ou ElBaradei pretendem candidatar-se a presidente?

É muito cedo para falar disso. O importante é trabalhar por reformas que garantam eleições limpas e justas, que o Egito não teve nos últimos 60 anos.

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