Militares tailandeses irão governar com premier

Uma semana após tomar o poder em um golpe, o líder da junta militar da Tailândia disse nesta terça-feira que não irá debandar após nomear um civil como premier nos próximos dias, mas continuará com um papel de assessoria. A informação é do jornal The New York Times.Os jornais tailandeses informaram que os generais ofereceram o cargo de premier a Supachai Panitchpakdi, ex-chefe da Organização Mundial do Comércio (OMC). Mas o líder do golpe, Gen. Sonthi Boonyaratkalin, se recusou a confirmar o fato. Em coletiva de imprensa, o general Sonthi não esclareceu qual poder ele pretende deter, mas disse que a segurança nacional nos próximos meses continua imprevisível. Essa foi a primeira indicação de que os generais pretendem reter o poder do novo governo."Não sabemos como a situação interna será no futuro", afirmou. "Hoje a situação é calma, pacífica e em ordem, mas não sabemos o que irá acontecer no futuro".Vozes da oposiçãoAbhisit Vejjajiva, líder do partido Democrático disse que o general Sonthi aparenta estar voltando atrás em sua promessa, feita na noite do golpe na terça-feira passada, de que em duas semanas, "teremos partido"."Se eles se mantiverem no poder", disse Abhisit, "será o oposto que anunciaram, e espero que isso não aconteça".O general Sonthi disse que a lei marcial que ele impôs ao tomar o poder iria continuar valendo até a situação se estabilizar. Uma indicação de sua preocupação é o decreto emitido no domingo, que baniu atividades políticas ou reuniões nas áreas rurais, onde Thaksin tem maior apoio. No momento do golpe, os militares se dividiram entre os que apoiavam ou se opunham ao premier deposto, Thaksin Shinawatra. Durante os seus cinco anos no poder, Thaksin colocou homens de sua confiança no controle de quase todos os setores Fo governo e em regiões do país. "Não nos deixe esquecer que Yhaksin, apesar de fora do poder no momento, ainda não jogou a toalha", escreveu Veera Prateepchaikul, vice-editor do jornal Bangcoc Post, em sua coluna.Alguns comentaristas dos jornais tailandeses têm dito que a junta não parece ter preparado os passos a serem seguidos após a tomada do poder.Os líderes militares estão sendo criticados por sua decisão de não congelar imediatamente os bens de Thaksin e de seus sócios, por colocar algumas pessoas aliadas de Thaksin em postos-chave, e por falhar em fazer declarações políticas em assuntos importantes, além da segurança.Um pequeno movimento anti-golpe começou, e analistas políticos dizem que ele pode crescer e se tornar um problema maior para a junta se os militares não se subsituírem rapidamente por uma administração civil.Um grupo de organizações civis, auto-denominado de Rede de ONGs por Reformas Políticas e Sociais exortou a junta, nesta terça-feira, a suspender as restrições sobre reuniões e liberdade de imprensa; a restaurar a constituição, particularmente os artigos sobre direitos civis; e apontar os funcionários que não são corruptos e que não tem ligações com o governo de Thaksin. Chaiwat Satha-anand, cientista político da universidade Thammasat, disse ter entendido as razões que depuseram o premier, mas ele disse ter ficado perturbado com a amplitude da imediata aceitação popular. "É triste ver como esse golpe se tornou tão popular, pois a aceitação de situações violentas para problemas políticos poderia ser vista como um sinal de desesperança", escreveu em uma coluna do Bangkok Post Em sua reportagem sobre a seleção de um primeiro-ministro, o jornal A Nação disse que Supachai aceitou a oferta de liderar o governo interino.Supachai, que atualmente é o chefe da Conferência de Comércio e Desenvolvimento da ONU em Genebra, já ocupou diversos cargos na área financeira do governo tailandês, inclusive o de ministro do Comércio, após a crise asiática em 1997. De acordo com o plano da junta, o premier interino ficaria no cargo durante um ano, enquanto uma nova constituição é escrita, e a eleição parlamentar é preparada, no sentido de restaurar a democracia."Eu tenho alguém em mente, mas prefiro não dizer agora", disse Sonthi. Tentarei escolher um premier assim que possível".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.