Gabinete de Imigração da Colômbia / AFP
Gabinete de Imigração da Colômbia / AFP

Militares venezuelanos bloqueiam ponte na fronteira com a Colômbia, diz deputado opositor

Franklyn Duarte afirma que a cisterna de um tanque de transporte de combustível e um contêiner foram cruzados na estrada para fechar a passagem por onde entraria ajuda humanitária

Redação, O Estado de S.Paulo

06 Fevereiro 2019 | 06h36

SAN CRISTÓBAL, VENEZUELA - Militares venezuelanos bloquearam uma ponte na fronteira com a Colômbia na terça-feira (madrugada desta quarta-feira, 6, em Brasília), em um momento em que a ajuda humanitária é esperada em razão da grave escassez de alimentos e medicamentos na Venezuela, denunciou um parlamentar da oposição.

A cisterna de um tanque de transporte de combustível e um gigantesco contêiner de carga foram cruzados na estrada para fechar a passagem na ponte Tienditas, que liga as cidades de Cúcuta, na Colômbia, e Ureña, na Venezuela, constatou uma equipe da agência France-Presse na região.

Franklyn Duarte, deputado no Estado fronteiriço venezuelano de Táchira, disse que "efetivos das Forças Armadas bloquearam a passagem" durante a tarde.

A ajuda humanitária foi administrada por Juan Guaidó, líder da Assembleia Nacional e reconhecido por cerca de 40 países como presidente interino depois de ter se autoproclamado no dia 23 de janeiro. A oposição foi empossada após Nicolás Maduro ser declarado um "usurpador" da presidência.

O chavista nega a possibilidade de aceitar ajuda internacional, considerando-a uma "desculpa" para iniciar uma intervenção militar encabeçada pelos Estados Unidos.

Segundo Duarte, a passagem na ponte foi bloqueada depois que um incidente confuso ocorreu em Ureña, quando soldados chegaram em veículos blindados para vigiar a fronteira. Três pessoas ficaram feridas, de acordo com o deputado, após um tanque atingir alguns motociclistas. "Eles podem colocar uma parede e não impedirão a entrada da ajuda", disse ele.

A ponte ainda não foi inaugurada. Ela seria lançada em 2016, mas o fechamento temporário da fronteira comum de 2,2 mil km - ordenada pelo governo de Maduro no fim de 2015 e suspensa meses depois - atrasou a abertura. No entanto, segundo a imprensa, seria uma das rotas para a entrada de remessas de alimentos e remédios do exterior, embora Duarte afirme que isso ainda "não havia sido definido".

A oposição venezuelana pede às Forças Armadas que autorizem a passagem da ajuda humanitária, que segundo Guaidó, está reunida na Colômbia, no Brasil e em uma ilha caribenha cujo nome não foi divulgado. Os EUA já anunciaram uma primeira remessa. / AFP

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