Felipe Frazão/Estadão
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Militares venezuelanos desertam após confrontos na fronteira

Três sargentos da Guarda Nacional Bolivariana que estavam envolvidos no conflito com manifestantes na véspera cruzaram a fronteira à noite fardados; eles dizem reconhecer Juan Guaidó como presidente interino

Luiz Raatz e Felipe Frazão, Enviados Especiais / Pacaraima, Roraima

24 de fevereiro de 2019 | 10h53
Atualizado 24 de fevereiro de 2019 | 18h49

PACARAIMA - Três sargentos da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) que desertaram entre o sábado e este domingo, 24, disseram que não reconhecem o governo do presidente Nicolás Maduro e apoiam o líder opositor Juan Guaidó, que se declarou presidente interino no mês passado.

Jean Carlos César Parra, Jorge Luís Gonzalez Romero e Carlos Eduardo Zapata abandonaram seus postos e fugiram para o Brasil. Os dois primeiros estavam na linha de frente dos protestos entre a GNB e venezuelanos radicados no País. 

"Mais militares estão por desertar", disse Parra. "Tivemos a coragem de vir fardados à noite pela estrada. Se tivéssemos de roupa iriam nos prender. Segundo os sargentos, há insatisfação entre os militares, mas os generais ainda apoiam Maduro. 

Os militares desertores disseram apoiar os esforços para a entrada de ajuda humanitária na Venezuela. Após deixar a sede da operação acolhida, eles conversaram também com a deputada opositora Yuretzi Idrogo, representante do Estado de Bolívar pelo partido Um Novo Tempo.

Atendimentos

O Governo de Roraima, por meio da Secretaria Estadual de Saúde, informou que, em pouco mais de 24 horas, o Hospital Geral do Estado recebeu 18 pacientes venezuelanos, a maioria em estado grave e com ferimentos provocados por arma de fogo.

Na divisa entre Colômbia e Venezuela, dois caminhões cheios de ajuda humanitária foram incendiados, quando militares venezuelanos bloquearam a passagem de uma caravana de quatro caminhões com ajuda humanitária e jogaram bombas de gás lacrimogêneo contra manifestantes.

A fronteira entre Brasil e Venezuela em Roraima amanheceu tranquila neste domingo, 24. No começo da tarde, no entanto, foi registrado um novo confronto entre venezuelanos e os militares da GNB.

O fluxo de imigrantes vindos da Venezuela voltou à divisa, apesar do fechamento da fronteira pela GNB, que reorganizou uma coluna de soldados para fechar a BR 174 antes do posto de aduana venezuelano. O bloqueio está cerca de 200 metros a frente do que estava ontem, ainda em território venezuelano.

Venezuelanos vindos de Santa Elena do Uairén disseram ao Estado que, apesar do fechamento oficial da divisa, os próprios guardas da fronteira sugerem que eles atravessem para o Brasil pelas "trochas" - trilhas no mato ao lado da estrada.

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