Isaac Urrutia/Reuters
Isaac Urrutia/Reuters

Militares voltam a ser tema eleitoral na Venezuela após declaração de Capriles

Ministro da Defesa chavista critica opositor, que afirmou na véspera ter escolhido um general da ativa para o cargo

Roberto Lameirinhas / ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2012 | 03h05

CARACAS - O tema militar voltou a esquentar a campanha presidencial venezuelana na quarta-feira, 3, dois dias depois de o candidato da oposição, Henrique Capriles Radonski, ter afirmado que já escolheu um oficial da ativa para ocupar o Ministério da Defesa, caso vença a eleição de domingo.

 

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"Essa é uma das declarações que ele nunca deveria ter feito", reagiu o atual titular da pasta, Henry Rangel Silva, em entrevista à TV estatal Venezolana de Televisión. "Como pode dizer que vai nomear um general da ativa quando seu plano de governo prevê a desarticulação das Forças Armadas? Não creio que haja um general da ativa que se preste a desarticular as Forças Armadas Bolivarianas."

O secretário-geral da opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo, criticou as declarações de Rangel Silva. "É lamentável que um ministro de Estado se refira nesses termos a uma declaração completamente lógica do candidato presidencial", afirmou. "Perdeu a oportunidade de ficar calado e agiu como um mau político e não como bom militar. Respeitaremos sempre as Forças Armadas como instituição e nunca faltaremos com o respeito de associá-la a projetos pessoais ou a parcialidades políticas."

O jornalista Teodoro Petkoff, um dos mais conhecidos opositores de Hugo Chávez desde sua chegada ao poder, há 14 anos, pergunta: "Até quando esse senhor vai ofender o uniforme militar agindo como um militante do PSUV (Partido Socialista Unido da Venezuela, chavista)?"

Analistas viram na declaração de Capriles, de que nomearia um militar da ativa para a Defesa, uma mensagem da oposição de que seu projeto não é totalmente rechaçado pelos quartéis - remodelados por Chávez, tenente-coronel da reserva, que tentou um golpe em 1992 e resistiu a outro, em 2002, para servir a sua "revolução bolivariana".

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