Milosevic contesta uso gravação em julgamento

Durante a sessão desta segunda-feira de seu julgamento pelo Tribunal Penal Internacional por crimes de guerra na Iugoslávia, o ex-presidente Slobodan Milosevic constestou o uso da gravação de uma conversa telefônica, apresentada pela Promotoria em sua acusação. Segundo ele, uma gravação usada para acusá-lo na semana passada foi obtida "ilegalmente, sem permissão das autoridades". O registro de uma conversa telefônica entre o fugitivo Radovan Karadzic, um importante chefe servo-bósnio acusado por crimes de guerra, e uma testemunha do julgamento de Milosevic em um tribunal iugoslavo, foi apresentada na sede do Tribunal na última sexta-feira. O tribunal de três juízes em Haia decidiu realizar uma audiência separada para estudar a legalidade das gravações e interceptações de rádio que o promotor pretende usar nos próximos meses.A Promotoria já teve problemas ao utilizar prova similar - até mesmo no julgamento do general servo-bósnio Radislav Krstic, condenado por genocídio pelos massacres em Srebrenica em 1995. No caso de Krstic, os juízes se negaram a aceitar uma gravação na qual o acusado disse supostamente a um subordinado para "matar cada um deles", aparentemente referindo-se aos homens de uma localidade muçulmana no encrave bósnio.Ainda hoje, o tribunal anunciou ter ordenado a prisão de um chefe de polícia servo-bósnio por sua suposta participação nos massacres de Srebrenica. Ljubomir Borovcanin, de 42 anos, foi acusado por homicídio e perseguição de habitantes não-sérvios na Bósnia. Milosevic apresentou a objeção durante o depoimento de uma testemunha sob proteção, um ex-político sérvio moderado que só foi identificado como C-037, e que foi interrogado sobre uma conversa telefônica que teria mantido com Karadzic.O conteúdo da gravação, feita pelo serviço secreto bósnio e entregue à ONU, não foi divulgado.

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