Milosevic convida para depor Clinton, Blair, Schroeder, Chirac ...

Rejeitando de forma veemente as acusações de assassinatos em massa e deportações, o ex-presidente iugoslavo Slobodan Milosevic afirmou nesta sexta-feira que vai convidar o ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e um grupo de líderes mundiais para testemunhar que ele foi o homem a trazer a paz para os Bálcãs.Depois de dois dias exaustivos no tribunal da ONU para crimes de guerra, as linhas de defesa do ex-presidente iugoslavo ficaram claras: ele é a vítima e seus juízes e os governos ocidentais são os conspiradores de crimes contra os sérvios.Milosevic disse que entre aqueles que ele quer convidar para falar no tribunal estão Clinton, a ex-secretária de Estado dos EUA Madeleine Albright, e o secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Entre os europeus que ele mencionou como testemunhas em potencial estão o primeiro-ministro britânico, Tony Blair; o chanceler alemão Gerhard Schroeder e seu antecessor Helmut Kohl; o presidente francês, Jacques Chirac, e o ex-ministro das Relações Exteriores da Itália, Lamberto Dini.O tribunal afirmou que Milosevic tem o direito de chamar testemunhas para se defender contra as acusações de genocídio na Bósnia e crimes contra a humanidade na Croácia e em Kosovo. Mas ele precisa satisfazer os juízes de que as testemunhas são relevantes para a defesa antes que elas sejam intimadas a comparecer.O tribunal expediria as intimações para os governos das testemunhas em potencial. Ficaria a cargo dos países atender à intimação, explicam os funcionários do tribunal. No caso de uma recusa, o tribunal poderia, em último caso, advertir o Conselho de Segurança da ONU de que não há cooperação. "Vou usar meu direito para pedir a análise e a inquirição das testemunhas que tiveram participação ativa nos acontecimentos", declarou Milosevic, referindo-se às suas reuniões com líderes ocidentais durante as guerras nos Bálcãs, entre 1991 e 1999.Em Roma, Blair afirmou que "as táticas do sr. Milosevic são muito óbvias". Porém, dizendo ser relutante em prestar declarações sobre um julgamento que está em progresso, recusou-se a comentar o pedido de Milosevic de chamá-lo como testemunha.Milosevic, de 60 anos, poderá ser condenado à prisão perpétua se considerado culpado de quaisquer dos 66 crimes dos quais é acusado, naquele que é considerado como o mais importante julgamento de crimes de guerra desde a Segunda Guerra Mundial. Ele é o primeiro chefe de Estado a ser acusado de crimes de guerra enquanto estava no poder.

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