Milosevic tomava medicamento prejudicial a tratamento

Um médico holandês que analisou amostras de sangue do ex-líder sérvio Slobodan Milosevic disse nesta segunda-feira ter encontrado nos exames traços de um medicamento que não tinha sido prescrito pelos médicos que cuidavam do ex-presidente. A droga pode ter reduzido a eficiência dos outros remédios receitados ao ex-ditador. O toxicologista Donald Uges disse à Associated Press que encontrou traços de rifampicin, um medicamento que faz com que "o fígado fique extremamente ativo" e completou que "se você estiver tomando qualquer outro tipo de medicação, o rifampicin irá cortar seu efeito muito rápido." O toxicologista sugeriu que Milosevic fazia uso do medicamento para tentar forçar sua transferência para a Rússia, acusando seus médicos holandeses de incompetência. Milosevic, de 64 anos, vinha sendo tratado de um problema cardíaco grave. Médicos o examinaram no centro de detenção de Haia e diagnosticaram hipertensão e hipertrofia cardíaca, doença que deixa a musculatura do coração mais frágil. Os médicos que examinaram e trataram de Milosevic foram indicados pela ONU. Segundo a organização, inicialmente o ex-ditador se recusara a tomar os remédios prescritos, o que fez com que sua pressão sanguínea não baixasse. Sob ordem judicial, Milosevic foi obrigado a tomar seus remédios sob supervisão, mas mesmo assim "sua pressão não baixava" disse Uges, do Hospital da Universidade de Groningen. Uges disse que médicos holandeses concluíram, após exames realizados em 12 de janeiro, que a única explicação para a falta de eficácia no tratamento de Milosevic era de que o ex-ditador estivesse tomando outro medicamente responsável por cortar o efeito do prescrito. Milosevic, que pediu à corte, em dezembro do ano passado, para ser transferido para a Rússia para fazer seu tratamento, contestou a opinião dos médicos holandeses e da corte, pedindo que Uges fizesse um teste mais sofisticado. Uges fez novos testes duas semanas atrás em uma amostra de sangue coletada no início desse ano. A investigação, feita sem que o médico soubesse a identidade do paciente, confirmou o que a equipe médica já suspeitava. No dia 24 de fevereiro, os juízes do tribunal de Haia negaram o pedido de Milosevic para ser transferido para Moscou. Mesmo com a garantia do governo russo de enviar Milosevic de volta a Haia logo que acabasse seu tratamento.

Agencia Estado,

13 Março 2006 | 15h56

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