Mina receberá museu e filme terá Banderas

Chile cria rota 'Los 33' para atrair turistas a local de resgate

O Estado de S.Paulo

01 de dezembro de 2013 | 02h07

Nos 60 quilômetros de curvas que ligam o centro de Copiapó à mina San José, há asfalto e placas novas. Os sinais com a inscrição "Circuito Los 33" querem transformar em atração turística o lugar de onde 33 mineiros escaparam, em 2010, após 69 dias de confinamento.

No dia 4, um pequeno museu será inaugurado a 50 metros da entrada da mina, para descrever as condições de vida a 700 metros de profundidade e como foi feito o resgate. Será um dos últimos legados do presidente Sebastián Piñera, que viu na época do resgate sua aprovação chegar a 57% - hoje, é de 32%, a pior de um líder chileno em fim de mandato.

Por enquanto, o mineiro Hernán Arraya, de 42 anos, faz as vezes de segurança do lugar, com 14 cachorros. Já teve 29 animais, mas eles foram retirados pelos proprietários por tentar morder os turistas. Arraya vive como ermitão no Atacama, o deserto mais seco do mundo, onde o tom marrom da paisagem só é quebrado por esporádicas plantações de uva irrigadas gota a gota, de água coletada no subsolo. Ele não tem TV, rádio ou eletricidade, "apenas uma lanterna". Seu celular, diz, só tem sinal no alto do morro que abrigou os mineiros.

Submetido ao silêncio absoluto na maior parte do dia, Arraya gosta de conversar e se esforça para agradar os "dois ou três" curiosos que chegam por dia. Dá pedras tiradas da mina e até deixa os insistentes avançarem 30 metros em lugar proibido. O lugar está inativo desde 2010. Os donos venderam outras minas e o custo do resgate, de US$ 22 milhões, ainda é discutido na Justiça. O acesso ficou mais restrito depois que uma TV local rompeu cordões de isolamento e gravou dentro da mina. "Foi um escândalo", diz o mineiro, que acompanhou o resgate dos mineiros pela TV.

A história "dos 33" será contada em um filme em que Antonio Banderas interpretará Mario Sepúlveda. Conhecido como "Super Mario", o piadista do grupo disse ao Estado esperar que a obra "resolva a vida" de todos. "Éramos heróis, mas até agora, não ganhamos nada." / R.C.

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