Mineiros alertaram sobre risco, mas não tiveram permissão de sair

Deputado chileno que investiga desabamento em mina diz que levará denúncia ao Parlamento

Efe

19 de outubro de 2010 | 11h00

SANTIAGO - Os 33 mineiros que permaneceram presos a 700 metros de profundidade na mina San José, no norte do Chile, por mais de dois meses disseram ter alertado os executivos da empresa sobre perigo que corriam três horas antes de o desmoronamento que os confinou ocorrer. Segundo os mineiros, sua saída não foi autorizada.

 

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As declarações foram feitas nesta terça-feira, 19, pelo deputado Carlos Vilches, membro da comissão que investiga o acidente, que revelou que alguns dos trabalhadores resgatados estão dispostos a ratificar a acusação no Parlamento chileno.

 

Vilches disse que Juan Illanes, um dos mineradores resgatados, relatou que nas horas prévias ao desmoronamento os trabalhadores advertiram que os rangidos de rocha na mina San José eram mais fortes do que o habitual e pediram para voltar à superfície, o que foi negado pelo gerente de operações da mina, Carlos Pinilla. "Todos sabiam do risco, mas estes senhores atuavam com indiferença. O razoável era tirá-los de lá", acrescentou Vilches, que também confirmou que vários já aceitaram dar seu testemunho.

 

A versão de Illanes foi confirmada por seus companheiros Jimmy Sánchez e Omar Reygadas. "Pinilla sabia muito bem o que acontecia na mina, ele não pode negar. Fazia vários dias que estava rangendo. Eu me apresentarei diante da comissão investigadora, é meu dever", disse Reygadas.

 

Cristián Barra, o assessor do Ministério do Interior que esteve na mina durante todo o resgate, concordou que havia sinais que antecipavam o acidente. "A opinião dos especialistas é que isto não ocorreu de um minuto para o outro", explicou ao jornal La Tercera.

 

Os mineiros foram resgatados na última quarta-feira depois de um longo esforço do governo chileno para perfurar o solo e abrir caminho até as galerias onde o grupo havia ficado preso. A San Esteban, empresa proprietária da mina, não participou da operação de salvamento.

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