ARIEL MARINKOVIC/AFP
ARIEL MARINKOVIC/AFP

Mineiros chilenos serão içados nas próximas horas

Operação pode começar na segunda-feira, mas trabalhos podem sofrer atraso de três a oito dias caso os técnicos recomendem o revestir o túnel

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2010 | 00h00

A perfuradora T-130 chegou a menos de 45 metros do local onde estão presos os 33 mineiros desde o dia 5 de agosto, na Mina San José, em Copiapó, no norte do Chile. O ministro da Mineração, Laurence Golborne, afirmou que hoje ela romperia o teto do refúgio. Segundo Golborne, a parte final da operação de resgate pode começar na segunda-feira. Os mineiros serão içados por uma cápsula, que passará pelo túnel escavado na rocha.

Os sobreviventes já estão realizando exercícios físicos e simulações para o salvamento. Os mineiros estão presos há 64 dias sob uma temperatura de mais de 32 graus e pouquíssima iluminação. Muitos apresentam problemas dentários - tratados com antibióticos e analgésicos -, de pele e psicológicos.  

 

 

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A 750 metros abaixo da terra, eles usam roupas especiais para absorver o suor e evitar odores. Também ganharam aparelhos de MP3 conectados a alto-falantes e têm um microprojetor para ver jogos de futebol, filmes e o noticiário, principalmente sobre o resgate.

O ministro da Saúde do Chile, Jaime Mañalich, contou que, nos últimos dias, eles foram submetidos a atividades físicas intensas, que testaram sua reação em situações de estresse e simularam a sensação que terão durante o resgate. Os mineiros também têm feito treinamento intensivo para dar entrevistas, em razão da grande atenção da mídia.

"Eles têm reagido bem. Alguns tiveram ansiedade e taquicardia, mas, no geral, foram bem", disse Mañalich. Os mineiros serão divididos em três grupos para o salvamento: no primeiro, de 4 a 6 pessoas, vão os que estão em melhor forma e conseguiriam operar o mecanismo da cápsula, se ele falhar. Depois, irão os mais fragilizados, os mais gordos, os que têm diabetes ou problemas respiratórios. Por fim, o grupo dos mais fortes, que ajudarão no resgate e aguentarão a ansiedade das 36 horas da operação.

Jejum. No salvamento, cada um entrará em uma cápsula batizada de "Fênix", com um cinto biométrico que monitora batimentos cardíacos, respiração e temperatura. A cápsula têm 66 centímetros de diâmetro. Por isso, muitos intensificaram os exercícios abdominais.

Antes de entrar na cápsula, eles passarão por um jejum de seis horas e serão hidratados com soluções de sais minerais, vitaminas e glicose. A subida levará de 45 minutos a uma hora. Logo que saírem, eles receberão óculos escuros para que não haja lesão nos olhos, desacostumados à claridade.

Depois de retirados da cápsula, os mineiros passarão cerca de duas horas no hospital de campanha montado na mina, antes de serem transportados de helicóptero para outro hospital em Copiapó.

 

 

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