Mineiros cobram para conceder entrevistas, diz 'New York Times'

Resgatados após mais de 2 meses de confinamento, mineradores querem 'compensação financeira'

estadão.com.br

18 de outubro de 2010 | 15h24

NOVA YORK - Os 33 mineiros resgatados na última quarta-feira após mais de dois meses presos em uma mina no norte do Chile estão cobrando dinheiro de repórteres de todo o mundo para conceder entrevistas sobre histórias pessoais vividas durante o confinamento, informa nesta segunda-feira, 18, o jornal americano The New York Times.

 

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Os mineiros dizem que concordaram, ainda durante o período em que ficaram presos a 700 metros de profundidade, que não dariam detalhes sobre o confinamento. Alguns deles, porém, têm falado com jornalistas mediante pagamento.

 

Verónica Quispe, esposa de Carlos Mamani, o único mineiro boliviano entre os 33, admitiu que seu marido está cobrando até de repórteres da Bolívia - onde é considerado um herói - para conceder entrevistas. Segundo ela, eles devem viajar a La Paz em breve para avaliar uma proposta de emprego feita pelo presidente boliviano, Evo Morales.

 

"Somos pobres, olha só onde vivemos", disse Verónica, referindo-se à pequena cada na favela João Paulo II, em Copiapó, cidade próxima da mina. "Vocês vivem das nossas histórias, então por que não podemos fazer dinheiro com essas oportunidades para alimentar nossos filhos", disse.

 

O valor cobrado pelos mineiros varia de US$ 40 a US$ 25 mil pelas entrevistas. Veículos de comunicação ofereceram viagens ao Japão, à Alemanha e à Itália em troca de declarações exclusivas. Repórteres que ficaram por semanas no acampamento onde as famílias se instalaram para acompanhar o resgate disseram ter trocado cartas com os mineiros durante o confinamento. Eles pediam grandes quantias para dar entrevistas uma vez que fossem resgatados.

 

Um homem que se identificou como primo de Florencio Ávalos, o primeiro mineiro a ser resgatado, disse que as entrevistas seriam dadas - mediante pagamento. Um repórter de um jornal japonês disse ter pago U$ 500 por uma declaração e Ávalos - e ainda assim o jornalista disse ter a impressão de que o minerador estava escondendo detalhes.

 

Jessica Chilla, esposa de outro mineiro, Darío Segovia, repetiu o discurso. "Ele está cobrando pelas entrevistas como forma de compensação. Ele está fisicamente e psicologicamente exausto e não vai se recuperar em menos de um mês", disse ela, acrescentando que o minerador "não dará entrevistas de graça nem agora, nem depois".

 

Sem taxa

 

Outros mineiros, porém, não têm cobrado para falar com os jornalistas. Yonni Barrios é um deles. "Perdi a esperança várias vezes", disse ele sobre os primeiros 17 dias, quando ainda não haviam sido descobertos pelas equipes de resgate na superfície. "Mas eu tinha Deus para conversar. Não dá pra dizer muito Masi que isso", disse.

 

Mário Sepulveda, o segundo mineiro a ser resgatado, também falou sem cobrar. Ele deu uma entrevista ao jornal britânico Daily Mail e à rede americana ABC, embora o canal tenha dito que "licenciou material" da família para a transmissão exclusiva da entrevista com o minerador.

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