Mineiros discutem quem será o último a ser resgatado

Após mais de dois meses presos numa mina no Chile, os 33 mineiros estão cheios de confiança. Os trabalhos de preparação do resgate foram intensificados nos últimos dias e a previsão é de que comece na quarta-feira. Segundo autoridades do país, os mineiros estão discutindo sobre quem será o último a ser retirado, processo que deve durar cerca de 20 minutos para cada, já que serão içados individualmente por meio de uma fossa.

AE/AP, Agência Estado

10 de outubro de 2010 | 17h49

De acordo com o Ministro da Saúde do Chile, Jaime Manalich, autoridades rascunharam uma lista com a ordem da subida dos 33 homens e disseram que os mineiros, até então bastante cooperativos, estão discutindo sobre quem sairá por último - eles estão tão confiantes no plano de saída que pedem para seus colegas saírem primeiro.

"Eles estavam brigando com a gente ontem, porque todo mundo queria estar no fim da fila, e não no começo", afirmou o ministro à imprensa. À Associated Press, Manalich declarou que poucos, em conversas privadas entre os mineiros, se mostraram voluntariamente dispostos a sair primeiro. "Mas nenhum deles fez isso publicamente."

O presidente da empresa Center Rock Inc (companhia dos Estados Unidos que abriu o buraco), Brandon Fisher, afirmou acreditar que "eles estão mais empolgados do que com medo ou ansiosos". "No entanto, o primeiro que sair deve ficar um pouco nervoso", explicou. A ordem final de resgate provavelmente será definida por dois paramédicos, um da Marinha e outro da empresa estatal de mineração Codelco, que descerão até a mina para preparar os homens para sair em uma de três cápsulas construídas por engenheiros navais chilenos.

Teste de estresse

Durante a última semana, todos os 33 mineiros passaram por testes de estresse que avaliaram sua saúde. Manalich acrescentou que as autoridades estão preocupadas com o quadro de hipertensão de alguns dos homens, assim como o oposto - queda brusca de pressão sanguínea - em outros, por causa da velocidade com que serão içados até a superfície. Outra preocupação é com a coagulação do sangue.

Para evitar problemas desse tipo, hoje os mineiros começaram a tomar 100 miligramas de aspirina cada um. Eles também colocarão meias de compressão para melhorar a circulação do sangue e um cinto especial. Segundo Manalich, tomarão um líquido de alto teor calórico, seis horas antes de serem removidos da mina, preparado e doado pela Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (Nasa). O objetivo é evitar náuseas.

A maior preocupação das autoridades, entretanto, é com a possibilidade de que os mineiros tenham "ataques de pânico", segundo Manalich. Uma pequena câmera de vídeo será colocada na cápsula de escape, para que o rosto de cada mineiro seja visualizado durante a ascensão. Todos terão máscaras de oxigênio e um sistema de comunicação por voz. Também vestirão suéteres especiais para suportar a mudança brusca de temperatura durante à noite. Os que saírem de dia usarão óculos especiais para suportar a luz do sol.

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