Roberto Candia/AP
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Mineiros presos no Chile estão desidratados e com 10 kg a menos

Estado de saúde dos trabalhadores continua 'razoável', apesar de déficit de vitaminas e nutrientes

AP,

26 de agosto de 2010 | 18h21

COPIAPO, CHILE- O ministro de Saúde chileno, Jaime Mañalich, informou nesta quinta-feira, 26, que os 33 mineiros presos em uma mina no norte do país estão desidratados e com dez quilos a menos, no mais completo informe sobre o estado de saúde dos trabalhadores até agora.

 

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"Com as avaliações clínicas que temos feito por meio do nosso 'agente médico' lá embaixo, temos uma ideia bastante clara de que sofrem de desidratação e perderam muito peso", disse Mañalich em uma avaliação sobre a situação dos trabalhadores presos há 700 metros de profundidade há 21 dias na mina de San José.

 

O "agente médico" é o mineiro Jonny Berríos, que tem conhecimentos com paramédico e aprovou o exame feito pelas autoridades de saúde do país, que analisaram a urina e o sangue dos mineiros para terem um quadro clínico mais completo.

 

"Ele vai fazer uma boa carreira em medicina", brincou o ministro. "Conseguimos estabelecer um suporte logístico muito adequado", acrescentou.

 

A quantidade de líquido hidratante enviada para os mineiros foi aumentada nesta quinta a quatro litros diários. Também foi incrementada a dose de alimento especial, o que a NASA considerou adequado em uma conferência telefônica de Mañalich com o subdiretor médico do organismo especial.

 

"Ontem foram entregues duas barras de cereais e com isso estamos atingindo aproximadamente 800 calorias para cada um", disse o ministro.

 

As informações do paramédico e os exames mostraram que o mineiro com diabetes se recuperou e os outros com problemas dermatológicos melhoraram com os medicamentos entregues por meio de uma sonda.

 

"O cenário médico continua sendo razoável", afirmou Mañalich. O ministro, no entanto, ressaltou que há um déficit fisiológico porque os nutrientes e vitaminas ingeridos até agora pelos mineiros são insuficientes. Só entre segunda e terça da semana que vem um nível satisfatório será atingido.

 

Uma das sondas será destinada exclusivamente ao envio de água. Foi comprovado que o líquido que havia no refúgio de emergência onde os mineiros se abastecem desde 5 de agosto não é próprio para o consumo.

 

Os trabalhadores pediram que os enviassem cigarros, mas em seu lugar as autoridades os entregaram gomas de mascar de nicotina, porque eles não podem fumar por razões médicas.

 

Drama

 

Os mineiros estão presos em um refúgio a 688 metros da superfície após o colapso na mina. Os 33 sobreviveram por 19 dias com uma dieta racionada de duas colheres de atum enlatado, um gole de leite e meio biscoito a cada 48 horas.

 

O único canal de comunicação com o exterior tem 15 centímetros de diâmetro. É por lá que as equipes de resgate começaram a enviar soro e rações de proteína e glicose, semelhantes às consumidas por astronautas. Dentro da mina, os mineiros contam com acesso à água e canais de ventilação.

 

O resgate será feito por uma perfuradora que abrirá caminho no solo. Andres Sougarret, chefe da operação, afirmou que o período para abrir um túnel largo o bastante para a passagem segura dos homens pode levar até quatro meses.

 

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