Mineiros presos no Chile recebem ofertas de emprego

33 trabalhadores são sondados por empresas em página da web e em feiras laborais

AE-AP, Agência Estado

13 de setembro de 2010 | 18h33

Sobrinho de um dos mineiros corre por entre bandeiras do Chile nos arredores da mina  

 

COPIAPÓ, CHILE- Embora seja impossível resgatar os 33 mineiros presos na mina San José antes de três meses, as ofertas de emprego para os homens que estão a 39 dias a 700 metros de profundidade não param de chegar.    

 

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Na cidade de Copiapó, a 50 quilômetros da mina, a ministra do Trabalho Camila Merino inaugurou nesta segunda-feira, 13, uma feira laboral com o propósito de encontrar emprego para os mineiros presos e para outras 317 pessoas que trabalhavam direta ou indiretamente no local.

O Ministério abriu uma página na qual 15 empresas, principalmente do setor de mineração, já ofereceram 300 postos de trabalho. Os trabalhos de resgate continuam, mas uma falha em uma das duas máquinas que realiza a perfuração do solo prejudica os esforços. Uma terceira perfuradora deve começar a funcionar na próxima semana.

A máquina, conhecida como "plano A", alcançou pouco mais de 230 metros de profundidade, mas o trabalho será interrompido para manutenção quando chegar a 250 metros. A perfuratriz chamada de "plano B" está parada há quatro dias por causa do rompimento do cabeçote, cujas partes metálicas ficaram presas a 268 metros de profundidade.

O ministro de Mineração, Laurence Golborne, disse hoje que se a quarta tentativa de retirar as peças metálicas fracassar, os tubos serão retirados e a perfuração será iniciada em outro lugar. O problema com a máquina deixou os mineiros em alerta. Eles perceberam o problema porque deixaram de ouvir os constante barulho do aparelho.

Plano D

A urgência da situação pode se converter em um "plano D", proposto pelo engenheiro de minas Miguel Fort, que esteve à frente dos trabalhos de resgate nos primeiros dias após o desabamento. Mas a iniciativa foi considerada inviável pelas autoridades.

Ontem à noite, Fort enviou um e-mail a Golborne pedindo autorização para entrar na mina pela área do desabamento e analisar a estabilidade da escavação. Caso o material esteja estável, ele propõe dinamitar o local para alcançar os mineiros. Mas o engenheiro René Aguilar, coordenador do resgate, disse que esta é uma "opção inviável".

 

Os 33 mineiros sobreviveram por 19 dias com uma dieta racionada de duas colheres de atum enlatado, um gole de leite e meio biscoito a cada 48 horas. As autoridades disseram que os resgates podem durar até quatro meses.

 

O único canal de comunicação com o exterior tem 15 centímetros de diâmetro. É por lá que as equipes de resgate começaram a enviar soro e rações de proteína e glicose, semelhantes às consumidas por astronautas. Dentro da mina, os mineiros contam com acesso à água e canais de ventilação.

 

 

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