Mineiros presos no Chile sabem que não sairão antes do fim de setembro

Segundo ministro da Saúde, no entanto, grupo não sabe exatamente tempo de duração do resgate

estadão.com.br,

25 de agosto de 2010 | 17h53

Mensagem deixada por parente de um dos mineiros próxima à mina de San José

 

SANTIAGO- O ministro de saúde do Chile, Jaime Mañalich, anunciou nesta quarta-feira, 25, que os 33 mineiros presos em uma mina no norte do país estão em bom estado de saúde, mas que será um grande desafio mantê-los durante o tempo de demora do resgate, que não será inferior a 90 dias. As informações são da versão online do jornal La Tercera.

 

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Mañalich também disse que os mineiros estão tranquilos e conscientes de que o resgate demorará "um tempo", mas não sabem quanto ele deve durar exatamente. "Ontem, em conversa com o Presidente da República, dissemos a eles que não vão ser resgatados antes das Festas Pátrias e que poderiam estar com suas famílias antes do Natal. Eles aceitaram e estão tranquilos."

 

Segundo o ministro, "ser capaz de manter sãos, bem alimentados, sãos psicologicamente um grupo de 33 trabalhadores que estão enterrados na galeria de uma mina a 700 metros de profundidade é uma missão sem precedentes na história médica".

 

Mañalich ressaltou, no entanto, que o boletim médico de hoje é satisfatório. "Não há pessoas com diarreia e a pessoa que tinha um problema respiratório está bem. Eles estão muito animados".

 

O ministro afirmou que uma avaliação médica de cada um dos mineiros será entregue ainda hoje em uma comunicação direta com vídeo.

 

Denúncia

 

As famílias de vários mineiros presos anunciaram nesta quarta a apresentação da primeira denúncia contra os donos da empresa responsável e da estatal Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin).

 

O anúncio foi feito pelo advogado que representa os parentes, Remberto Valdés. Segundo o defensor, os proprietários da mineradora San Esteban, que administra a mina San José, onde os mineiros estão presos, serão acusados por lesões e os funcionários estatais, de prevaricação.

 

De acordo com o advogado, os funcionários do órgão estatal "ditaram, em 2008, uma resolução injusta que significou a reabertura da mina de San José", fechada no ano anterior.

 

Segundo Valdés, o pagamento de suborno para a reabertura da mina sem o local cumprir todos os requisitos de segurança será investigado.

 

O ex-chefe do departamento de propriedade da Mineradora do Sernageomin, Patricio Leiva, aceitou hoje como "uma possibilidade" ter sido usado como "bode expiatório" para assinar o documento que reabriu a mina San José.

 

Em 23 de agosto, o presidente do Chile, Sebastián Piñera, anunciou sanções para "todos os que tenham responsabilidades" no acidente da mina, que ocorreu no início do mês.

 

Os 33 mineiros sobreviveram por 19 dias com uma dieta racionada de duas colheres de atum enlatado, um gole de leite e meio biscoito a cada 48 horas.

 

O único canal de comunicação com o exterior tem 15 centímetros de diâmetro. É por lá que as equipes de resgate começaram a enviar soro e rações de proteína e glicose, semelhantes às consumidas por astronautas. Dentro da mina, os mineiros contam com acesso à água e canais de ventilação.

 

O resgate será feito por uma perfuradora que abrirá caminho no solo. Andres Sougarret, chefe da operação, afirmou que o período para abrir um túnel largo o bastante para a passagem segura dos homens pode levar até quatro meses.

 

Com Efe

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