Mineiros presos terão de fazer dieta para resgate no Chile

Autoridades preparam plano de bem estar com exercícios e outras atividades

Agência Estado e Associated Press

25 de agosto de 2010 | 14h46

 

 

COPIAPÓ - Apenas 90 centímetros de circunferência abdominal. Este é o limite que foi determinado para os 33 mineiros presos em uma mina no Chile para eles poderem escapar por um túnel que será construído, informou nesta quarta-feira, 25, o ministro da Saúde chileno, Jaime Manalich. Segundo ele, as equipes estão preparando um plano abrangente para o bem-estar dos mineiros durante os meses necessários para se cavar o túnel, incluindo exercícios, dieta e outras atividades para eles não ganharem peso.

 

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"Nós estamos trabalhando para determinar uma área segura onde os mineiros possam fazer coisas. O espaço em que eles estão tem cerca de 2 quilômetros de galerias para se circular", explicou Manalich. "Nós esperamos definir uma área segura onde eles podem estabelecer vários locais - um para descansar e dormir, um para diversão, um para a comida, outro para trabalhar", explicou.

 

De acordo com o ministro, especialistas que avaliaram a condição de cada mineiro disseram que "eles estão todos saudáveis, com apenas uns poucos problemas". O ministro da Saúde também afirmou que até hoje os mineiros receberão mais alimentos nutritivos, em latas de uma bebida similar ao leite, enriquecida com calorias e proteína, com sabores de chocolate e baunilha. Ainda levará alguns dias para eles receberem comida sólida.

 

O túnel para os mineiros escaparem terá cerca de 66 centímetros de diâmetro e deverá percorrer mais de 688 metros de rochas sólidas. As equipes também precisam calcular um espaço para as cestas que serão usadas para retirar as 33 pessoas, tendo pequena margem de erro nessa operação.

 

Divisão

 

Antes de serem encontrados, todos eles ficaram por 17 dias sobrevivendo com duas colheres de atum, um gole de leite, um pedaço de bolacha e uma fatia de pêssego por dia. A disciplina de ferro garantiu a vida de todos, apesar de só possuírem rações de emergência para dois dias. A mesma obstinação será necessária nos próximos meses, já que funcionários chilenos preveem que a operação de resgate dure até o Natal.

 

"A forma como eles racionaram a comida, assim como o modo como se portaram durante a crise, é um exemplo para todos nós", disse o ministro da Mineração, Laurence Golborne, ontem, após falar com os mineiros por meio de um sistema de comunicação. O presidente do Chile, Sebastián Piñera, conversou por telefone com Luis Urzua, de 54 anos, que tem sido o líder do grupo na mina. "Vocês não serão deixados sozinhos, vocês não estão sozinhos. O governo está com todos vocês, o país inteiro está com vocês."

 

Jorge Barahona não está surpreso de que Urzua, seu primo, tenha liderado os homens nessa situação precária. "Todos os homens com ele têm experiência em sobreviver, o trabalho deles é sobreviver", disse Barahona, destacando também a liderança natural do primo.

 

Vigília

 

Os mineiros foram isolados após o colapso em 5 de agosto da via principal da mina de ouro e cobre. Apenas no domingo é que as equipes de resgate fizeram contato por meio de um fino buraco pelo qual foi levado um sistema de comunicação. Várias famílias estão acampadas próximas ao local rezando para que tudo corra bem. "Nós não vamos abandonar esse campo até que o último mineiro saia", disse Maria Segovia. "Existem 33 deles, e um é meu irmão."

 

Em mais uma semana, os homens estarão presos no subterrâneo mais tempo do que quaisquer outros mineiros na história. No ano passado, três sobreviveram durante 25 dias em uma mina inundada no sul da China. Poucos outros resgates duraram mais de duas semanas.

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