Mineiros são encontrados com vida após 17 dias

Presos desde o dia 5, após o desabamento de uma mina, 33 homens sobreviveram em um refúgio de emergência que tem comida, água e oxigênio

, O Estado de S.Paulo

23 de agosto de 2010 | 00h00

Dividendo político. Piñera mostra mensagem dos sobreviventes: fim da maré de azar  

 

 

 

 

SANTIAGO

Depois de uma sequência de tragédias e contratempos, como o terremoto que arrasou o país, em fevereiro, e a popularidade em queda, o presidente chileno, Sebastián Piñera, finalmente pôde dar uma boa notícia ao país. Os 33 mineiros presos há 17 dias em uma mina de ouro e cobre, no norte do Chile, estão vivos.

Piñera, que até então tratava o caso como se todos estivessem mortos, viajou ao complexo de minas assim que a sonda conseguiu contato com os mineiros. Assim, ele pôde estar presente na mina San José, situada 800 quilômetros ao norte de Santiago. Foi ele quem mostrou para as câmeras uma carta escrita com lápis vermelho que um dos mineiros conseguiu fazer chegar ao exterior. "Estamos bem, no refúgio, os 33", dizia a mensagem.

Os mineiros - 32 chilenos e um boliviano - estão presos desde o dia 5 em uma jazida de cobre e de ouro. Ontem, eles puderam ser contatados por meio de uma sonda que chegou até o refúgio construído para esse tipo de emergência, a 700 metros de profundidade, com oxigênio, água e comida. Foi graças à sonda que eles puderam enviar o bilhete à superfície.

"Isto saiu das entranhas da terra", disse Piñera, enquanto mostrava o papel que os mineiros enviaram. "É a mensagem dos nossos mineiros que nos dizem que estão vivos, que estão unidos. Agradeço a eles pelo valor, pela coragem de terem resistido mais de duas semanas nas profundezas da montanha."

Uma câmera de vídeo já foi introduzida no abrigo e permitiu contato visual com os mineiros. As imagens mostram alguns deles despidos da cintura para cima, no calor do subterrâneo, acenando alegremente.

Especialistas dizem que agora será preparada uma sonda para levar alimento e luz, mas que o mais importante era que os mineiros soubessem que serão socorridos. O resgate total de todos, no entanto, é complicado e pode demorar até quatro meses.

Andrés Sougarret, engenheiro encarregado das operações de resgate, disse que será enviado primeiramente glicose e, depois, outros tipos de alimento.

Anteriormente, o engenheiro havia dito que estava em preparação, paralelamente à introdução da sonda, uma operação de resgate que não duraria menos de quatro meses.

Para a operação seria necessário usar uma máquina mais potente do que aquela que é utilizada atualmente, que permitirá perfurar uma chaminé de 66 centímetros de diâmetro em direção à galeria onde estariam os mineiros. Ao todo, segundo ele, seriam necessários 120 dias. "É por esta chaminé que os mineiros deverão sair", disse Sougarret.

Os trabalhos de resgate tiveram vários reveses, que levaram as equipes de socorro a locais errados. O principal problema eram as dificuldades topográficas, que levaram muitas autoridades, incluindo o presidente, a perder praticamente todas as esperanças de encontrar alguém com vida.

Em todo o país, milhares de chilenos saíram às ruas e fizeram buzinaços. Carregando bandeiras do país, 300 pessoas se concentraram na Praça Itália, em Santiago, tradicional ponto de comemorações esportivas, que agora serviu de local de celebração pela vida dos sobreviventes. / EFE, AFP E REUTERS

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