Genya Savilov/AFP
Genya Savilov/AFP

Minissérie impulsiona turismo em Chernobyl, que bate novo recorde

Em oito meses, 74.671 turistas visitaram a região do desastre; metade dos visitantes são turistas estrangeiros

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de setembro de 2019 | 18h45

KIEV - O turismo na zona de exclusão da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, onde há 33 anos aconteceu a maior catástrofe nuclear da história, bateu um novo recorde neste ano, com mais de 75 mil visitantes até agosto, segundo a Agência Estatal para a Gestão da Zona de Exclusão.

"Neste ano, já se estabeleceu um novo recorde de visitas à zona de exclusão (que abrange 30 quilômetros ao redor da usina nuclear)", informou a entidade nas redes sociais.

Em oito meses, 74.671 turistas visitaram a região do desastre. Somente em agosto foram registrados 14.416 visitantes, cinco vezes mais que no início do ano. Entre janeiro e fevereiro, menos de 3 mil pessoas compareceram ao lugar do acidente.

A partir de março, o "número de turistas cresceu rapidamente", ou seja, antes mesmo da estreia da bem-sucedida série Chernobyl, produção do canal fechado HBO, sobre o acidente nuclear. A minissérie contribuiu para novamente chamar a atenção para Chernobyl, segundo reconhecem as autoridades ucranianas.

A Agência Estatal para a Gestão da Zona de Exclusão aprovou 21 rotas para os turistas: 13 percursos terrestres, 5 aquáticos e 3 aéreos.

"O principal desafio que enfrentamos é a segurança de cada visitante que cruza os limites da zona de exclusão. O número de visitantes aumenta significativamente a cada ano, da mesma forma que o interesse em Chernobyl no geral", afirmou o diretor da agência, Vitali Petruk.

"Para garantir informação interessante e verídica aos visitantes, apoiamos o desenvolvimento de novas formas de visitas que permitam que nos comuniquemos com os turistas com qualidade", acrescentou Petruk, sem revelar mais detalhes.

O fluxo de turistas à região aumentou notavelmente nos últimos anos. Segundo divulgou em abril o Ministério de Ecologia e Recursos Naturais da Ucrânia, desde 2015 as visitas se multiplicaram por dez. O número de turistas passou de aproximadamente 8 mil para 70 mil nos últimos quatro anos.

Segundo a mesma fonte, a metade dos visitantes são turistas estrangeiros, atraídos pela magnitude da catástrofe e pela lenda da cidade fantasma de Pripyat, a mais afetada pela radiação. Agora, também pela minissérie.

De acordo com relatórios oficiais, a explosão ocorrida na madrugada de 26 de abril de 1986 espalhou até 200 toneladas de material com uma radioatividade de 50 milhões de curies, o equivalente a 500 bombas atômicas como a lançada em Hiroshima.

A radiação continua afetando milhares de habitantes de Bielo-Rússia, Ucrânia e Rússia, onde 70% dos quase 200 mil quilômetros quadrados de terrenos estão contaminados. / EFE

 

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