Fernando Vergara / AP
Fernando Vergara / AP

Ministério de Defesa da Polônia oferecerá cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres

Objetivo é fazer com que elas saibam se defender sem armas e consigam reagir perante uma situação de agressão

O Estado de S.Paulo

18 de novembro de 2016 | 14h26

VARSÓVIA - O Ministério da Defesa da Polônia decidiu oferecer cursos gratuitos de defesa pessoal para mulheres civis, uma iniciativa polêmica que se soma à criação de unidades militares de voluntários e faz com que o Exército esteja mais presente do que nunca na sociedade.

Objetivo do Ministério é que todas as mulheres maiores de idade e em bom estado de saúde tenham a oportunidade de aprender a se defender sem armas e saibam reagir perante uma possível agressão. Com esse objetivo, "os melhores instrutores do Exército polonês", segundo o ministro da Defesa, Antoni Macierewicz, oferecerão aulas em 30 cidades a partir deste sábado até junho de 2017.

Ele acredita que esses cursos gratuitos servirão para melhorar a condição física e a sensação de segurança das participantes, que terão 90 minutos para aprender como responder a uma agressão, inclusive com arma branca, enfrentar vários agressores, além de uma série de técnicas de mãos vazias.

"Convidamos todas as mulheres interessadas em autodefesa. Não há limites de idade", disse Macierewicz, que considera que a iniciativa também servirá para aproximar o Exército da sociedade civil.

As críticas não demoraram a surgir e os partidos da oposição se perguntam quais seriam os motivos que levariam o Ministério da Defesa a decidir assumir cursos que deveriam ser oferecidos pela polícia, já que os militares devem se focar em dissuadir potenciais agressões do exterior e não em envolver-se na segurança interna.

O jornal Diennik Polski vai além e questiona se essas aulas gratuitas não são mais do que um exercício de propaganda do Exército, com o objetivo de demonstrar sua preocupação com as mulheres polonesas e sua intenção de zelar pela segurança nas ruas.

O instrutor Jolanta Wasileska, que ensina em Varsóvia técnicas de defesa pessoal usadas pelas forças de segurança israelenses, declarou que iniciativas como essa do Ministério são sempre positivas, já que existe uma grande demanda de mulheres com interesse em aprender autodefesa e melhorar sua condição física.

Os cursos coincidem com os planos da pasta de Defesa de criar uma força com 53 mil voluntários, similar à Guarda Nacional dos EUA, e foi aprovada na quarta-feira pelo Parlamento polonês. Macierewicz acredita que as unidades de voluntários servirão para dissuadir a Rússia de atacar o território polonês por meio de técnicas de infiltração ou guerra híbrida similares às empregadas na Ucrânia.

O plano prevê que até 2019 cada uma das 16 províncias do país tenha uma força de 3 mil a 5 mil voluntários com treinamento militar, embora a prioridade seja seu desdobramento nas regiões orientais, consideradas as mais expostas à pressão russa.

As críticas a esse projeto, que terá um custo aproximado de 800 milhões de euros, também começaram e o que vem sendo questionado é sua utilidade prática perante um cenário de guerra moderna.

Além de considerações técnicas, parte da oposição e dos veículos de comunicação poloneses expressaram seu temor de que esse corpo de voluntários se transforme em uma espécie de guarda pretoriana a serviço do partido governante Lei e Justiça.

Para o membro do partido liberal Plataforma Cívica, Borys Budka, "se trata de um projeto muito perigoso, porque dá aos dirigentes políticos da direita a possibilidade de dispor de um grupo armado que pode ser utilizado para lutar contra a oposição". / EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.