Ministério desafia presidente do Sri Lanka

O ministério do Sri Lanka está tentando reunir o Parlamento em desafio a uma suspensão de duas semanas imposta pela presidente Chandrika Kumaratunga em meio a uma disputa de poder com o primeiro-ministro Ranil Wickremesinghe sobre as formas de solucionar as duas décadas de conflito com o Exército de Libertação dos Tigres do Tâmil Eelam (LTTE), disseram autoridades locais nesta quinta-feira. G. L. Peiris, porta-voz de Wickremesinghe, qualificou as medidas adotadas esta semana por Kumaratunga como "um abuso grosseiro do poder presidencial. De acordo com ele, a administração liderada pelo primeiro-ministro está se mobilizando para reunir o Parlamento, onde Wickremesinghe tem tênue maioria. Dotada de amplas autoridades constitucionais, Kumaratunga iniciou a atual crise política na terça-feira, quando demitiu três importantes ministros e assumiu o controle das pastas, suspendeu o Parlamento por duas semanas e deslocou tropas pela capital cingalesa. As medidas foram adotadas pela presidente em um momento no qual Wickremesinghe fazia visita oficial aos Estados Unidos. Ontem, Kumaratunga decretou um estado de emergência de dez dias neste arquipélago de 19 milhões de habitantes situado na costa sul da Índia. Wickremesinghe deverá chegar amanhã a Colombo proveniente de Washington, onde reuniu-se com o presidente dos EUA, George W. Bush, e obteve apoio de autoridades americanas em seus esforços na busca por um acordo de paz com os rebeldes do LTTE. Entretanto, com o país em crise, os rebeldes tâmeis acreditam existir pouco espaço para negociar com o governo agora, disse um líder do LTTE à The Associated Press, levantando dúvidas sobre as chances reais de se obter um acordo de paz depois de 20 sangrentos anos de insurgência. Segundo o líder rebelde que pediu para não ser identificado, a situação deixa claro que o governo pode ser dispensado de acordo com os caprichos de Kumaratunga, que rejeita a proposta tâmil de ampliar poderes políticos e financeiros no norte da principal ilha do arquipélago. O conflito entre militantes rebeldes e tropas do governo já deixou aproximadamente 65.000 mortos desde 1983. Um cessar-fogo está em vigor há mais de um ano e meio. As negociações de paz chegaram a um impasse justamente devido às exigências tâmeis de ampla autonomia no norte do país.

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